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«Sobrepopulação», disse Macri sobre os trabalhadores despedidos na Télam

A conferência de imprensa que Mauricio Macri deu esta quarta-feira em Buenos Aires não foi coberta pela agência Télam. Os 357 trabalhadores despedidos há três semanas continuam a exigir a reintegração.

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Trabalhadores da agência noticiosa Télam protestam contra os despedimentos frente à residência oficial de Mauricio Macri, em Buenos Aires
Trabalhadores da agência noticiosa Télam protestam contra os despedimentos frente à residência oficial de Mauricio Macri, em Buenos AiresCréditos / Página 12

No decorrer da conferência de imprensa que ontem deu na Quinta dos Olivos para abordar a situação «tormentosa» do país, o presidente argentino classificou como «sobrepopulação» os 357 trabalhadores da agência noticiosa estatal Télam, despedidos no final de Junho sem aviso prévio e sem justificação.

Ao ser questionado sobre o tema pelo jornalista Claudio Mardones, do Tiempo Argentino, Macri disse que era «o primeiro a lamentar-se» por cada argentino que perde o emprego ou o possa vir a perder, mas acrescentou que os despedimentos decretados por Hernán Lombardi, o responsável do Sistema Federal de Meios de Comunicação Públicos – entidade que tem a seu cargo o funcionamento da agência noticiosa estatal argentina, fundada em 1945 –, ocorreram no contexto de uma política governamental que visa «modernizar o Estado, para que funcione ao serviço dos argentinos», refere o diário Página 12.

«As autoridades de Télam decidiram que havia uma sobrepopulação de gente, que não tem a ver com um serviço eficiente», disse o presidente argentino, reafirmando a argumentação de Lombardi, que tem sido desmentida repetidamente pelos trabalhadores da agência estatal.

Exigência de reintegração

Se, no interior da residência oficial, Macri fez a defesa da administração da Télam, de Lombardi e da política de «modernização do Estado», no lado de fora, enfrentando a chuva gelada, os trabalhadores despedidos continuaram a manifestar-se em defesa da reintegração, fazendo rufar os tambores e gritando palavras de ordem como «Aí falta a Télam» (em alusão à falta de jornalistas da agência dentro da Quinta dos Olivos) e mostrando cartazes em que se lia «Se silenciam a Télam, silenciam todos» ou «Não aos despedimentos», revela a Prensa Latina.

Na semana passada um tribunal considerou ilegal o despedimento de cinco funcionários da agência – decisão que é extensível aos restantes –, por ter ocorrido fora de «um plano prevenção de crise». Entretanto, os 357 trabalhadores despedidos a 26 de Junho afirmam que vão continuar a lutar pela recuperação dos seus postos de trabalho, garantindo que, na agência, «não sobra ninguém».

De acordo com um relatório publicado pela Centro de Economia Política Argentina (CEPA), no primeiro semestre de 2018 o país austral registou uma média de despedimentos mensais superior 4300 trabalhadores, mais 17% que em igual período do ano passado.

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