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Mais de 69 mil despedimentos na Argentina em 2018

De acordo com o relatório publicado esta quarta-feira pelo Centro de Economia Política Argentina, só em Novembro e Dezembro foram despedidos ou suspensos do seu posto de trabalho 9727 trabalhadores.

Desde que Mauricio Macri chegou ao poder, as condições de vida dos argentinos degradaram-se e o desemprego aumentou
Desde que Mauricio Macri chegou ao poder, as condições de vida dos argentinos degradaram-se e o desemprego aumentouCréditos / jarrahotel.com

Segundo o estudo, intitulado «Um ano de queda: despedimentos e suspensões durante 2018», registaram-se em média 5800 despedimentos por mês no país austral. No total, o número de despedimentos e suspensões (interrupções temporárias dos contratos de trabalho, durante as quais os trabalhadores ficam sem receber) ascendeu a 69 696.

O informe, publicado pelo Centro de Economia Política Argentina (CEPA) na sua página de Internet, refere que, no bimestre de Novembro-Dezembro, houve 9727 despedimentos, mais do dobro dos casos registados em igual período de 2017, em que 4758 pessoas perderam o seu trabalho. Em 83% dos casos, os despedimentos verificaram-se nos sectores da indústria e dos serviços.

No que respeita ao ano de 2018 no seu todo, foram registados mais 33 162 casos de despedimentos (e suspensões) que no ano anterior. Por sectores, os despedimentos na indústria (com 37 341 casos) e nos serviços (13 470 casos) representam 73% do total. O estudo do CEPA precisa que 16 303 despedimentos correspondem ao sector público (administração central e sector empresarial do Estado) e 53 393 ao privado.

No relatório destaca-se ainda o facto de um em cada oito despedimentos estar relacionado com o encerramento de empresas ou fábricas. No sector da indústria, a incidência é mais alta: um em cada seis casos estão ligados a encerramentos.

Com a Cambiemos aumentaram os despedimentos

Só no sector da indústria, entre Novembro de 2015 e Outubro de 2018, o CEPA regista 89 938 despedimentos (não incluindo aqui as suspensões temporárias de contratos de trabalho). Por seu lado, o SIPA – Sistema Integrado Previsional Argentino regista, entre Novembro de 2015 e Novembro de 2018, menos 125 311 trabalhadores no sector.

Os dados de ambos os organimos levam o CEPA a referir que, apesar de os dirigentes do Cambiemos (coligação que apoia o presidente Mauricio Macri) falarem de modo recorrente na «criação de novos postos de trabalho», o que se verifica é um grande aumento nos despedimentos na indústria e no sector privado em geral.

Indústrias como a construção, o sector automóvel, os têxteis, a alimentação e bebidas, a electrónica e os electrodomésticos, e o sector metalúrgico foram as que registaram mais despedimentos.

Nos serviços, 55% dos despedimentos ocorreram no comércio, tendo-se verificado também nos órgãos de comunicação, transportes, vigilância, limpezas, entre outros.

Na administração pública, houve despedimentos nos ministérios da Agro-indústria, do Desenvolvimento Social e da Economia, entre outros. O relatório regista ainda a ocorrência de despedimentos no Governo da Província de Buenos Aires e em empresas com capital estatal, como YCRT, Ferrobaires, Nucleoeléctrica Argentina, YPF, Fadea e Fabricaciones Militares.

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