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Sindicatos europeus denunciam cumplicidade de empresa basca com apartheid israelita

A CAF participa na construção do metro de superfície de Jerusalém, uma infra-estrutura que, denunciam, serve para ligar colonatos ilegais e procura normalizar a ocupação e anexação de Jerusalém Oriental.

Em Fevereiro, cerca de 70 organizações lançaram, na localidade basca de Ordizia, a campanha «CAF, sai do comboio do apartheid»
Em Fevereiro, cerca de 70 organizações lançaram, na localidade basca de Ordizia, a campanha «CAF, sai do comboio do apartheid» Créditos / menafn.com

Numa declaração publicada no portal da European Trade Union Iniciative for Justice in Palestine (Iniciativa Sindical Europeia pela Justiça na Palestina), as estruturas sindicais subscritoras lembram que a empresa basca CAF – fabricante de material ferroviário – foi seleccionada, juntamente com a construtora israelita Saphir, para a construção de uma nova linha de metro de superfície em Jerusalém Oriental.

De acordo com o contrato estabelecido, a CAF constrói novas carruagens e reabilita as já existentes noutras linhas, cabendo-lhe ainda fornecer o material dos sistemas de sinalização e energia e efectuar a manutenção das carruagens.

Esta infra-estrutura, lembram as estruturas sindicais, será utilizada para ligar colonatos israelitas ilegais construídos em terras roubadas aos palestinianos e visa normalizar a ocupação e a anexação de Jerusalém Oriental – algo que é ilegal à luz do direito internacional, é condenado por diversas resoluções das Nações Unidas e viola a IV Convenção de Genebra.

«Mais de 600 mil colonos israelitas vivem em terras palestinianas ocupadas e 4,9 milhões de palestinianos sofrem diariamente restrições de mobilidade», lê-se no texto, acrescentando que «nos territórios palestinianos ocupados a taxa de desemprego ronda os 30% e todos os anos há cerca de 4500 presos políticos palestinianos, dos quais aproximadamente 200 são crianças».

Neste contexto, os sindicatos denunciam que os colonatos e a infra-estrutura associada à ocupação, incluindo o metro de superfície de Jerusalém, minam o direito dos palestinianos ao trabalho, porque restringem tanto a sua liberdade de movimento como o acesso à terra e aos recursos, impedindo uma economia palestiniana viável.

Por tudo isto, a Comissão Sindical da CAF, que representa os trabalhadores, pediu à empresa, em duas ocasiões, que não se envolvesse neste projecto e não construísse estas carruagens, antepondo a defesa dos direitos do povo palestiniano aos seus próprios interesses, refere o texto.

Destaca igualmente o facto de, no País Basco, ter havido grandes mobilizações em solidariedade com o povo palestiniano e contra o metro de superfície que a CAF está a construir em Jerusalém Oriental, em que participaram os sindicatos LAB, ELA, CCOO e ESK.

O LAB e o ELA, enquanto sindicatos que estão representados na Comissão Sindical da CAF, reiteraram a decisão tomada pelos seus membros e afirmaram que vão continuar a trabalhar em defesa dos direitos do povo palestiniano, na CAF e noutros espaços onde participam.

Na Europa, outros sindicatos e organizações estão a mobilizar os seus filiados e activistas para pedir à CAF que respeite o direito internacional e deixe de ser cúmplice com os colonatos ilegais. «A pressão vai continuar até que a CAF ponha fim à cumplicidade com o metro do apartheid de Israel», sublinham.

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