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Sector metalúrgico em luta no Uruguai

Trabalhadores do sector metalúrgico anunciaram várias paralisações, na sequência de um novo encerramento de uma fábrica, que afecta, directa e indirectamente, mais de 200 trabalhadores.

Trabalhadores da Cinter e dirigentes sindicais mobilizados após o anúncio do encerramento da fábrica no Uruguai 
Trabalhadores da Cinter e dirigentes sindicais mobilizados após o anúncio do encerramento da fábrica no Uruguai Créditos / @MarceAbdalaCNT

A União dos Trabalhadores do Metal (Untmra) decidiu adoptar medidas de luta depois do anúncio, por parte da empresa Cinter Aperam, de que ia sair do país sul-americano, deixando no desemprego 158 funcionários e afectando outros 50 de forma indirecta.

Em declarações à imprensa, Danilo Dárdano, representante da Untmra, destacou que o desmantelamento da instalação industrial, depois de 65 anos a operar no Uruguai, também se vai fazer sentir de forma negativa no comércios e serviços do bairro de Peñarol, onde se localiza.

Uns dias antes, o sindicato reuniu-se com a Direcção Nacional do Trabalho e pediu-lhe que comunicasse ao ministro da tutela, Pablo Mieres, «a gravidade daquilo que se está a passar no país».

«Nos últimos tempos fecharam várias fábricas da indústria metalúrgica e, se não se tomam medidas urgentes, seguramente teremos outros anúncios nesse sentido», alertou Dárdano, citado pelo portal da PIT-CNT.

Destacando que mais de 2000 trabalhadores uruguaios perderam o emprego no sector, o responsável sindical disse que tem vindo a alertar o governo para a situação da saída de empresas do país, tendo em conta que o mercado interno uruguaio é pequeno e, em simultâneo, tanto a Argentina como o Brasil procuram que elas se instalem lá oferecendo-lhes benefícios fiscais, devoluções de impostos, etc.

A convocatória de greve, que abrange todos os trabalhadores filiados na Untmra, incluía paralisações de uma hora por turno esta quinta e sexta-feira. Para a próxima quinta-feira, dia 9, foi agendada uma paralisação geral no sector, com mobilização entre os ministérios da Indústria e da Economia, em Montevideu.

Em conferência de imprensa, Dárdano afirmou que «isto é só o início» e que, se não houver respostas positivas de apoio aos trabalhadores da Cinter, o sindicato avançará para outro tipo de medidas, «mais profundas».

No final de Abril, o Instituto Nacional de Estatística uruguaio revelou um agravamento no desemprego no país, com 137 800 pessoas sem trabalho (7,7%), enquanto as pessoas em situação de subemprego representavam 8,9%.

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