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Salários sobem e desemprego desce, no Reino Unido

Na iminência do Brexit, os trabalhadores britânicos receberam o maior aumento numa década e o desemprego atingiu o seu ponto mais baixo desde os anos 70, segundo fontes oficiais.

Trabalhadores dirigem-se aos seus empregos na hora de ponta, Londres, Reino Unido, 2018.
Trabalhadores dirigem-se aos seus empregos na hora de ponta, Londres, Reino Unido, 2018.Créditos / storyblocks

Números oficiais divulgados na terça-feira, dia 11 de Dezembro, indicam que o mercado laboral não dá mostras de abrandar na véspera do Brexit. Os trabalhadores britânicos «receberam o maior aumento remunerativo numa década» no período compreendido entre Agosto e Outubro de 2018.

As remunerações semanais (bónus incluídos) tiveram, no período indicado, um aumento trimestral de 3,3%, descrito como «o maior Julho de 2008» e ultrapassando «confortavelmente» a previsão de 3% resultante de uma sondagem da Reuters junto a economistas, afirma a agência. As remunerações semanais sem bónus acompanharam aquela percentagem, no que foi «o maior aumento desde o final de 2008».

A população em idade laboral com um emprego atingiu o número recorde de 75,7%, com um incremento de 79 mil empregos apenas neste período, segundo o gabinete oficialde estatística britânico, Office for National Statistics.

«A economia britânica abrandou» desde o resultado favorável ao abandono da União Europeia (UE) pelo Reino Unido no referendo sobre o Brexit em 2016, mas o desemprego continuou «em queda acelerada, pressionando os empregadores a aumentar os salários». Os números apresentados apontam para um desemprego nos 4,1%, «perto do seu nível mais baixo, desde os anos 70».

«Um mais forte aumento salarial poderia ajudar a economia britânica na sua saída da UE, em Março de 2019», aponta a Reuters. Apesar de os salários terem vindo a aumentar consistentemente abaixo dos 4%, desde a crise financeira, os salários reais, ajustados à inflação, tiveram, no trimestre, uma evolução favorável de 1,1%, «o seu maior aumento desde 2016».

A libra, os certificados de aforro e os títulos do tesouro britânicos, que «têm permanecido instáveis» face aos progressos e recuos das negociações da primeira-ministra Theresa May com a UE «não foram influenciados pela subida de salários», anota a Reuters.

No entanto, «receios de queda abrupta da libra», com eventual impacto inflacionário e dano nos orçamentos familiares «se a Grã-Bretanha não assegurar um acordo de transição que facilite a sua saída da UE», levaram o Banco de Inglaterra a admitir «a necessidade de aumentar as taxas de juros gradualmente para evitar pressões inflacionárias do mercado laboral». A mesma entidade emitiu, sobre a evolução dos salários até ao final de 2018, uma previsão de «crescimento moderado», inferior àquela que se poderia esperar face às informações divulgadas oficialmente na terça-feira.

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