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Rússia acusa EUA de treinar «militantes» em bases sírias

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, Valery Gerasimov, afirmou esta quarta-feira que há «militantes», incluindo combatentes do Daesh evacuados de Raqqa, a receber treino em bases norte-americanas na Síria.

Militares norte-americanos e «rebeldes» em Al-Tanf, no Sul da Síria, junto à fronteira com a Jordânia
Militares norte-americanos e «rebeldes» em Al-Tanf, no Sul da Síria, junto à fronteira com a JordâniaCréditos / Sputnik News

Numa entrevista dada esta quarta-feira ao diário russo Komsomolskaya Pravda, o general Gerasimov disse que as forças norte-americanas transformaram a sua base militar de Al-Tanf, perto da fronteira com a Jordânia, num campo de treino de terroristas.

Tendo por base informação obtida por satélite, o militar afirmou que «estão instalados na base esquadrões de terroristas», que ali «treinam de facto», revela a RT.

Gerasimov também acusou os Estados Unidos de estarem a utilizar um campo de refugiados nos arredores da cidade de Al-Shaddadah, na província de Al-Hasakah (Nordeste da Síria), como centro de treino para elementos do Daesh, incluindo alguns dos que foram evacuados da cidade de Raqqa, antigo bastião do chamado Estado Islâmico.

«É basicamente o Daesh», disse Gerasimov, citado pela RT. «Mudam de cor, mudam de nome – o "Novo Exército Sírio" e outros mais. A sua função é desestabilizar a situação», sublinhou.

O militar russo estima que, neste momento, haja 750 combatentes em Al-Shaddadah, no Nordeste do país, e 350 em Al-Tanf, junto à fronteira com a Jordânia. Acrescentou que as forças militares russas estão há algum tempo a vigiar o treino militar nesta última base.

A localidade de Al-Qaryatayn, na província de Homs, esteve em risco de ser tomada quando cerca de 350 combatentes saíram da base, mas tal não ocorreu porque – segundo Gerasimov – as forças russas têm estado a vigiá-los e tomaram «medidas a tempo».

«Estas forças foram derrotadas e destruídas», disse o general russo, salientando que «é evidente que estão a ser treinadas nestes campos».

«Buraco negro»

Já em Outubro, um representante do Ministério russo da Defesa, Igor Konashenkov, acusou Washington de abrigar combatentes na «zona de segurança» que circunda Al-Tanf, de onde partem ataques contra as tropas de Damasco.

Na altura, Konashenkov chamou a essa zona um «buraco negro» criado pelos EUA junto à fronteira da Síria com a Jordânia.

Na entrevista desta quarta-feira, Gerasimov sublinhou que o Pentágono ainda não conseguiu justificar a sua presença em Al-Tanf após a derrota do Daesh.

Al-Nusra será eliminada em 2018

Questionado sobre os avanços do próximo ano na luta contra o terrorismo na Síria, o general russo disse que a eliminação da Frente al-Nusra e «filiados» deve ser alcançada em 2018.

Quanto ao Daesh, disse ainda que, depois de perder todos os territórios que tinha sob seu controlo no Iraque e na Síria, alguns dos terroristas regressaram aos seus países de origem e que «a maioria fugiu para a Líbia e para o Sudoeste da Ásia», indica a PressTV.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, também se referiu a este tema recentemente, afirmando que a batalha contra o Daesh na Síria estava ganha e que as atenções se centram agora na Al-Nusra.

Se os terroristas da Al-Nusra «ainda resistem, é porque têm estado a receber apoio do estrangeiro» para lutar contra o Exército Árabe Sírio, disse Lavrov, que alertou ainda para as tentativas de reagrupamento e de fuga de combatentes do Daesh.

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