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Quatro em dez portugueses não podem pagar uma semana de férias fora de casa

Os dados publicados pelo Eurostat mostram que 28,5% da população na UE não conseguia pagar uma semana de férias fora de suas casas em 2019. Portugal está bem acima da média.

De acordo com o gabinete oficial de estatísticas europeu, Portugal surge em sétimo lugar na lista de países da UE onde os habitantes mais dificuldades têm para tirar uma semana de férias
De acordo com o gabinete oficial de estatísticas europeu, Portugal surge em sétimo lugar na lista de países da UE onde os habitantes mais dificuldades têm para tirar uma semana de férias CréditosDavid F. Sabadell / El Salto

De acordo com os dados agora divulgados pelo Eurostat, 28,5% das pessoas maiores de 16 anos que vivem na União Europeia (UE) não tinham possibilidade de gozar uma semana de férias fora de casa em 2019. No que respeita a Portugal, o valor revelado está 11,5 pontos percentuais acima da média dos 27 países-membros da UE.

Embora ainda sejam provisórios, os dados referentes a Portugal evidenciam que 40% dos residentes no país não possuem capacidade financeira para pagar uma semana de férias fora do local de residência.

Ainda assim, verifica-se uma redução de 1,3% relativamente ao valor registado em 2018 (41,3%) e uma diminuição de quase 25% face a 2010, quando, segundo os dados do Eurostat, 64,6% dos residentes em Portugal com mais de 16 anos não conseguiam tirar uma semana de férias fora. Até 2015, a percentagem manteve-se sempre acima dos 50%.

Num país em que se aplica o modelo dos baixos salários, se generaliza a precariedade e se aprofundam os ataques aos direitos dos trabalhadores, ir de férias passa de direito a «privilégio» só ao alcance de alguns.

Segundo o gabinete oficial de estatísticas europeu, Portugal surge em sétimo lugar na lista de países da UE onde os habitantes mais dificuldades têm para tirar uma semana de férias.

Com os confinamentos e os lay-offs (prolongados), o aumento do desemprego e os brutais cortes nos rendimentos sofridos por centenas de milhares de trabalhadores no contexto da crise associada à pandemia do novo coronavírus, estima-se que esta tendência se acentue, como o próprio organismo europeu reconhece, embora usando outra argumentação.

Entre todos os estados-membros, a Roménia registou a maior percentagem de pessoas com mais de 16 anos que não têm como pagar uma semana de férias fora de casa (54,1%), seguindo-se a Grécia (49,2%), a Croácia (48,4%), Chipre (45,2%), Itália (44,4%) e Hungria (41,5%).

Ainda acima da média da UE e imediatamente abaixo de Portugal, aparecem nesta lista: Lituânia (38,9%), Eslováquia (37,3%), Bulgária (35,5%), Espanha (34,2%), Polónia (33,2%), Malta (30,8%) e Irlanda (29,5%).

No extremo inferior da escala, apenas 10,2% dos habitantes da Suécia não conseguem pagar uma semana de férias anuais, seguidos de Luxemburgo (10,6%), Dinamarca (10,8%), Finlândia (11,8%), Áustria (12,9%) e Alemanha (13,3%).

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