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Professores e médicos mantêm protestos contra o governo hondurenho

Médicos e docentes do sector público deram sequência, este domingo, às mobilizações contra o executivo de Juan Orlando Hernández, que acusam de querer privatizar a Saúde e a Educação.

Milhares de professores e médicos, apoiados por estudantes e outros trabalhadores, voltaram a manifestar-se este domingo nas Honduras
Milhares de professores e médicos, apoiados por estudantes e outros trabalhadores, voltaram a manifestar-se este domingo nas Honduras Créditos / Plano Informativo

Organizadas pela Plataforma pela Defesa da Saúde e da Educação, que junta estruturas representativas de ambos os sectores, as manifestações de ontem seguem-se, num espectro temporal mais recente, às jornadas de protesto que se registaram no país centro-americano na semana passada e enquadram-se na luta que médicos e professores, apoiados por representantes de outros sectores, mantêm desde o final de Abril contra a aprovação de medidas, por parte do governo de Juan Orlando Hernández (conhecido pela sigla JOH), que visam levar à privatização de Saúde e Educação.

A Plataforma pela Defesa da Saúde e da Educação, composta sobretudo por organizações de médicos e docentes do sector público, pediu à população que adira a estas mobilizações e que participe nos encontros promovidos pela Plataforma para esta terça-feira.

De acordo com a Prensa Latina, trata-se de um «diálogo alternativo dos cidadãos», organizado pelos sectores mobilizados da sociedade de forma paralela às «conversações» iniciadas pelo governo na semana passada e que a Plataforma considera «pouco sérias».

«Mantêm-se em vigor os apelos à continuidade destas acções em diferentes pontos do país e pedimos à população que continue a organizar-se e a integrar-se neste movimento», defendeu, em declarações à imprensa, o presidente do Colégio dos Pedagogos das Honduras, Edwin Hernández.

O dirigente acrescentou que «o diálogo proposto por médicos e docentes é uma expressão de poder popular, no âmbito da qual diversos sectores poderão realizar um verdadeiro diagnóstico dos sistemas de Educação e de Saúde».

A Plataforma recusa-se a participar na iniciativa do executivo de JOH até que este responda de forma positiva a uma agenda de nove pontos proposta pelos manifestantes, entre os quais se incluem a reintegração dos trabalhadores despedidos e a participação de um representante estrangeiro nas negociações entre governo e sectores em luta.

«Até à data, estas exigências não foram respeitadas; não tivemos outra resposta do governo que o circo que montou com activistas políticos na Casa Presidencial», denunciou Hernández.

Fortes protestos há um mês e meio

Os protestos contra as alterações legislativas começaram no final de Abril, entendendo os sindicatos que as alterações legislativas aprovadas irão permitir ao governo hondurenho proceder à realização de «despedimentos massivos de funcionários», acabar com «conquistas que os trabalhadores alcançaram em décadas de luta» e privatizar os sectores da Educação e da Saúde.

Apoiados por estudantes e, à medida que os protestos se prolongam, por trabalhadores de outros sectores de actividade, como os taxistas e os camionistas, os médicos e os professores hondurenhos têm intensificado a luta, nas ruas, em defesa dos seus postos de trabalho, da Saúde e da Educação como direitos, e da demissão de JOH.

Desde o início dos protestos, a Polícia Nacional hondurenha foi acusada de recorrer à violência para dispersar os manifestantes. No passado dia 9, o ministro da Segurança, Julián Pacheco, declarou «tolerância zero» para os manifestantes, segundo divulgou a imprensa oficial do governo.

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