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Presidente da FIFA ignora os estatutos e dá respaldo a Israel e Arábia Saudita

Gianni Infantino tinha reuniões preparadas com a Associação de Futebol da Palestina (AFP) mas, apesar de reiterados avisos, insistiu em participar em acções do governo Israelita em territórios ocupados.

26 crianças palestinianas, da Faixa de Gaza, que pertencem à Associação de Futebol de Palestinianos Amputados, preparam-se para participar no torneio de sub-16 para pessoas amputadas em bombardeamentos, por míssil, israelitas. Cerca de 80 homens amputados participam no torneio para adultos. <br /> 
26 crianças palestinianas, da Faixa de Gaza, que pertencem à Associação de Futebol de Palestinianos Amputados, preparam-se para participar no torneio de sub-16 para pessoas amputadas em bombardeamentos, por míssil, israelitas. Cerca de 80 homens amputados participam no torneio para adultos. 
 
CréditosSuhaib / Reuters

À margem de uma conferência organizada pelo Jerusalem Post, um diário israelita, no Museu da Tolerância, em Jerusalém, o Presidente da FIFA, Federação Internacional de Futebol, admitiu a possibilidade de organizar um Campeonato do Mundo de Futebol conjunto entre Israel e Arábia Saudita, «porque não Israel?».

A tentativa ingénua, por parte de Infantino, de incluir a Palestina numa futura iniciativa, em colaboração com Israel, foi muito mal recebida pela comunidade palestiniana, em contraste com os aplausos da audiência, composta por vários antigos membros do gabinete de Donald Trump, como Ivanka Trump e Mike Pompeo e por Benjamin Netanyahu, responsáveis pelo escalar das agressões e ocupações contra a Palestina nos últimos anos.

A AFP tinha ficado agradavelmente surpreendida com a intenção, manifestada pelo presidente da FIFA, de reunir com as autoridades desportivas da Palestina, deixando o alerta de que, embora compreendendo que ele também se encontrasse e participasse com insituições israelitas, não iriam tolerar a visita a territórios ocupados militarmente por Israel.

O Museu da Tolerância, em contrassenso com o seu nome, foi construído nos «terrenos confiscados do histórico cemitério Ma’manullah, declarado um local históricos para os muçulmanos. Neles estão enterrados os restos mortais de milhares de palestinianos, árabes e muçulmanos, cujos sepúlcros foram profanados pela construção do edifício no local».

O Futebol palestiniano não abdica da sua dignidade

Esperávamos que a visita do Presidente da FIFA trouxesse esperança aos futebolistas palestinianos, começando a resolver alguns dos muitos problemas que impedem o desenvolvimento deste desporto na Palestina, um país que sofre, ainda, sob ocupação israelita. Não esperávamos uma visita de apoio a grupos evangélicos sionistas que defendem a negação de direitos aos palestinianos», afirmou, em comunicado, a AFP.

«A decisão [de Infantino] de ignorar as nossas preocupações, e tendo em conta que não temos o direito de interferir na agenda do Presidente da FIFA, só nos deixa como alternativa anunciar que, com muito pena nossa, não estaremos disponíveis para receber uma delegação da FIFA, nestas circunstâncias».

Para além de não ter cumprido com a sua palavra, apresentando-se em territórios que Israel ocupa militarmente, a sua visita configura uma «afronta total aos valores de tolerância religiosa e convivência pacífica, príncipios basilares dos estatutos da FIFA».

Também a Liga Árabe e a Organização para a Cooperação Islâmica condenaram a desconsideração que Gianni Infantino demonstrou pelo sofrimento de milhões de palestinianos a quem Israel nega o acesso aos mais básicos direitos humanos.

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