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PEV. Conferência da Biodiversidade refém dos interesses económicos

Depois do «fracasso» da Cimeira do Clima, Os Verdes temem que o resultado final da Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade (COP15) fique «muito aquém» devido a interesses económicos. 

A Lagoa dos Salgados, em Silves, no Algarve, é uma das mais diversificadas da região no que diz respeito à avifauna 
Créditos / PlanetAlgarve

O cepticismo dos ecologistas relativamente à 15.ª Conferência da ONU sobre Diversidade Biológica, que decorre até 19 deste mês em Montreal, no Canadá, com o lema e objectivo para 2050 «Viver em harmonia com a Natureza», deve-se, desde logo, ao «fracasso» da Cimeira do Clima.

A par disso, lembram Os Verdes num comunicado, não foram cumpridos compromissos e medidas, no âmbito da protecção da natureza, cujo prazo terminava em 2020, somando-se o facto de a COP15 decorrer «sob um cenário geopolítico mundial cada vez mais aprisionado pelos grandes interesses económicos» e por políticas «que promovem modelos de produção e consumo agressivos e predadores». 

Menos mediática do que a cimeira realizada no Egipto, a Conferência da Biodiversidade, onde estão representados cerca de 200 países, incluindo Portugal, «deveria ser uma oportunidade para um diagnóstico sério dos erros e causas que nos levaram a esta situação e para uma inversão dos caminhos», defendem os ecologistas.

E são várias as ameaças à vida no planeta. Mais de um milhão de espécies ameaçadas de extinção, alterações climáticas, empobrecimento e desertificação dos solos e poluição dos cursos de água são algumas com «impactos dramáticos sobre a saúde humana e sobre a segurança alimentar», e que levam a concluir sobre a necessidade de saírem compromissos, metas e instrumentos financeiros desta reunião.

«Por mais que esta Conferência tenha sido precedida de um longo trabalho técnico e negocial prévio; e por mais que milhares de técnicos, cientistas e especialistas de diversos países se esforcem e empenhem para dar o melhor contributo possível para os trabalhos da mesma, para que se definam medidas e objectivos concretos; por mais que milhares de associações lancem alertas e dêem riquíssimos contributos, é expectável que o resultado final fique muito aquém das necessidades e desafios colocados pela emergência da situação actual da biodiversidade a nível planetário», alertam os ecologistas.

Quanto à delegação portuguesa à COP15, acrescentam, «não deixa de ser irónico» que seja liderada pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), tendo em conta que o Conselho de Ministros «acaba de ditar o esvaziamento quase total das suas competências e das capacidades de intervenção no território deste organismo». Os ecologistas ressalvam, no entanto, que mesmo com «imensas debilidades», nomeadamente de pessoal, o ICNF tem desempenhado um papel importante na conservação da natureza e da biodiversidade.

Porém, frisam, o País «está cada vez mais subjugado às práticas intensivas de monocultura agrícola e florestal com imensos danos para a biodiversidade», com um Governo «ainda mais entusiasta e protector» dos grandes interesses económicos que «promovem a ocupação desgarrada» do território nacional. 

«O combate às espécies invasoras fica pela intenção ou por medidas pontuais e desgarradas e os interesses económicos ditam a localização das grandes infra-estruturas sem que se olhe à preservação da biodiversidade – veja-se o exemplo do aeroporto no Montijo», lê-se na nota.

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