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Palestina louva críticas à inclusão de Israel como observador da União Africana

O governo palestiniano congratulou-se com a rejeição da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) da decisão de atribuir a Israel o estatuto de Estado observador da União Africana (UA).

Créditos / alghad.com

«O posicionamento da SADC está em consonância com o direito internacional e a longa historia partilhada de solidariedade e luta contra o colonialismo e a opressão entre os povos palestiniano e africano», afirmou o Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros num comunicado emitido esta quinta-feira.

«Esta objecção firme, juntamente com as objecções de outros estados, servirá como uma dura lembrança de que a ocupação colonial, o racismo e as violações constantes do direito internacional, que continuam a algemar a Palestina, não devem ser recompensados», sublinha o documento divulgado pela WAFA.

Agradecendo profundamente aos estados-membros da SADC pela sua liderança política e moral e por honrar o legado de África contra o colonialismo, a Palestina instou outros países africanos a unir-se a esta atitude, de modo a acabar «com a ocupação israelita das terras palestinianas e seu regime de apartheid».

Durante a 41.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do bloco austral, que decorreu a 17 e 18 de Agosto em Lilongwe, capital do Malawi, os 16 membros da SADC expressaram o seu repúdio pela decisão da Comissão da UA de aceitar Telavive como observador.

Integram a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral 16 países: África do Sul, Angola, Botswana, Comores, Eswatini, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícia, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Seychelles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

Um passo «inaceitável»

No passado dia 22 de Julho, Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da UA, anunciou que Israel tinha obtido estatuto de observador junto da União Africana – um estatuto que o Estado sionista perdera em 2002, quando desapareceu a Organização da Unidade Africana, e por cuja obtenção vinha a fazer pressão.

A decisão foi duramente criticada por diversos estados-membros do organismo sediado em Adis Abeba, afirmando que se trata de um passo «inaceitável», de uma posição que contradiz a política de apoio à causa palestiniana e que viola os princípios da UA.

Argélia, África do Sul e Namíbia foram dos países que mais pronta e claramente se posicionaram contra a decisão, sublinhando também que tal implicava uma consulta prévia aos estados-membros.

O governo da Namíbia alertou que «atribuir o estatuto de observador a uma potência ocupante contraria os princípios e objectivos do Acto Constitutivo da União Africana».

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