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Organizações bolivianas tomam medidas face à agenda golpista da oposição

Várias organizações bolivianas anunciaram medidas contra forças da oposição, tendo em conta que a alegada fraude eleitoral e pretensa defesa da democracia eram uma via para levar a cabo um golpe de Estado.

Numa manifestação de apoio em La Paz, Evo Morales defendeu que a alegada fraude eleitoral é uma «invenção» da direita, confrontada com a impossibilidade de governar o país andino-amazónico pela via das urnas
Numa manifestação de apoio em La Paz, Evo Morales defendeu que a alegada fraude eleitoral é uma «invenção» da direita, confrontada com a impossibilidade de governar o país andino-amazónico pela via das urnas Créditos / Twitter

Em declarações à Bolivia TV, Roberto Rojas, um dos dirigentes dos Ponchos Rojos na província de Omasuyos (La Paz), defendeu a necessidade de organização e de defesa, «porque já não se trata de uma questão eleitoral; da fraude passou-se ao golpe de Estado», disse.

A milícia Ponchos Rojos, constituída na sua maioria por reservistas aimaras do Exército boliviano, deu um prazo de 48 horas ao candidato derrotado nas eleições de 20 de Outubro, Carlos Mesa (da Comunidad Ciudadana (CC)) e ao líder do Comité Cívico Pro Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, para que ponham fim às acções contra o governo do presidente reeleito, Evo Morales.

«A milícia, em conjunto com as organizações sociais, vai tomar de modo pacífico as empresas que esses dois personagens têm a nível nacional e iremos pedir ainda que Camacho seja indiciado por sedição e outros crimes que cometeu, pois mostrou muito racismo em Santa Cruz», revelou Rojas, citado pela Prensa Latina.

Por seu lado, Segundina Flores, secretária executiva da Confederação de Mulheres Camponesas Bartolina Sisa, leu um manifesto em que o organismo de mulheres insta o procurador-geral do Estado, Juan Lanchipa, a instaurar um processo judicial contra os autores intelectuais e materiais da crise que se vive no país, que no texto são acusados, entre outras coisas, «de criar o caos nacional, de associação criminosa, de provocar perdas económicas», bem como de promover o racismo e a discriminação.

Flores explicou que, se o procurador não as ouvir, as mulheres camponesas irão recorrer para instâncias internacionais, de modo a concretizarem o desígnio de verem indiciados Camacho e os membros da organização Unión Juvenil Cruceñista.

Evo Morales apela à união dos bolivianos

Ao inaugurar a Casa Municipal de Waldo Ballivián, no departamento de La Paz, o presidente reeleito da Bolívia, Evo Morales, destacou a importância da unidade do povo face ao império.

Com a onda de violência e as acções racistas que se verificam no país, promovidas pelo candidato da CC, Carlos Mesa, políticos da extrema-direita e grupos de choque alentados por estes e pela agenda desestabilizadora do imperialismo norte-americano, hoje, na Bolívia, «instiga-se o ódio e o desprezo, usa-se a religião para a humilhar e discriminar», denunciou Morales.

«O grande problema de alguns grupos é que não aceitam o voto do movimento indígena. […] Não reconhecer esse voto é não respeitar a Constituição», afirmou Morales, acrescentando: «Vencemos novamente as eleições, mas continuo convencido de que, mesmo que tivéssemos ganho com mais de 50%, eles [a oposição e os sectores golpistas] não teriam reconhecido os resultados.»

Perante as denúncias de fraude, das quais nunca foram apresentadas provas, o presidente esclareceu: «Nós não temos nada a esconder e, por isso, decidimos levar a cabo uma auditoria internacional» – na qual os dirigentes da oposição também se recusam a participar.

«Agora falam em renúncia, mas aqui faz-se cumprir a Constituição Política do Estado e respeitar o voto do povo boliviano», frisou, citado pela Prensa Latina.

«Denúncias de fraude eram um pretexto para um golpe de Estado»

Também ontem, no centro de La Paz, muitos milhares de pessoas concentraram-se para o apoiar o seu presidente e rejeitar a violência promovida pela oposição golpista. Perante a multidão, Evo Morales afirmou que, «quando o povo se organiza, é um instrumento político de libertação», e insistiu na ideia de que a alegada fraude eleitoral é uma «invenção» da direita, confrontada com a impossibilidade de governar o país andino-amazónico pela via das urnas.

Os movimentos sociais mantêm-se mobilizados nas ruas da Bolívia em defesa do presidente Morales, que foi reeleito com 47% do sufrágio popular. «Estas mobilizações não são em defesa de Evo mas do próprio povo», disse o líder indígena, que saudou as organizações sociais que de facto estão a defender a democracia, revela a TeleSur.

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