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Opositor foragido venezuelano é «hóspede» na Embaixada de Espanha

O governo espanhol declarou não ter intenção de entregar o dirigente da extrema-direita venezuelana Leopoldo López, depois de a Justiça do país caribenho ter emitido uma ordem de captura contra ele.

Leopoldo López foi condenado pela instigação à violência na Venezuela em 2014, promovida pela extrema-direita com apoio internacional e que provocou várias dezenas de mortos
Leopoldo López foi condenado pela instigação à violência na Venezuela em 2014, promovida pela extrema-direita com apoio internacional e que provocou várias dezenas de mortos Créditos / Gazeta do Povo

Um tribunal de Caracas emitiu esta quinta-feira um mandado de captura contra Leopoldo López, dirigente do partido da extrema-direita Voluntad Popular que se encontrava a cumprir, em regime de prisão domiciliária, a pena de 13 anos de cadeia a que foi condenado, em 2015, por diversos crimes ligados à onda de violência «guarimbeira», em 2014, que provocou 43 mortos na Venezuela.

O tribunal, que revogou a prisão domiciliária ao opositor venezuelano, fundamentou a ordem de detenção no facto de López a ter violado «flagrantemente» no passado dia 30 de Abril, na medida em que participou na tentativa de golpe de Estado ao lado do deputado da oposição Juan Guaidó – que se autoproclamou «presidente interino» do país – e de um reduzido grupo de militares.

De acordo com a nota de imprensa publicada pelo tribunal, López também violou a medida referente a «declarações políticas através de meios convencionais e não convencionais, nacionais e internacionais», indica a Prensa Latina.

O tribunal decretou ainda que o opositor agora foragido deverá cumprir a pena – da qual completou cinco anos, dois meses e 12 dias – na cadeia de Ramo Verde, na cidade de Los Teques, a sul da Área Metropolitana de Caracas.

Refúgio nas embaixadas do Chile e de Espanha

Com o fracasso da intentona golpista contra o governo constitucional de Nicolás Maduro, que López persegue há muito, o dirigente da extrema-direita venezuelana refugiou-se, com a sua mulher, Lilian Tintori, e filha de 15 meses, na Embaixada de Espanha, na madrugada de quarta-feira, depois de ter abandonado a do Chile, onde fora acolhido antes.

O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, reconheceu, em declarações efectuadas na Jordânia, que o foragido à Justiça venezuelana se encontra na residência oficial do embaixador de Espanha em Caracas, como «hóspede», e «não como exilado», uma vez que os pedidos de asilo têm de ser formulados em Espanha, refere a RT.

Na sequência da ordem de detenção emitida pela Justiça venezuelana contra López, fontes do executivo espanhol em funções, presidido pelo social-democrata Pedro Sánchez (PSOE), revelaram que Espanha não tem intenção de entregar o foragido da extrema-direita venezuelana às autoridades do país sul-americano.

Por seu lado, o opositor golpista, que falou esta quinta-feira à imprensa, frente à representação diplomática espanhola, disse que ali irá permanecer até conseguir o «fim da usurpação» – a forma como o seu partido se refere ao governo do presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi eleito com mais de 60% dos votos em Maio de 2018, numas eleições em que o Voluntad Popular se recusou a participar.

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