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ONU considera insuficiente levantamento do bloqueio ao Iémen

Apesar de a Arábia Saudita ter levantado, esta semana, o bloqueio total ao Iémen, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários considerou a medida insuficiente, uma vez que o porto de Hudaydah continua a não funcionar.

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A campanha militar lançada contra o Iémen pelos sauditas em Março de 2015 provocou mais de 12 mil mortos, destruiu grande parte das infra-estruturas do país e está na origem de uma situação humanitária catastrófica
A campanha militar lançada contra o Iémen pelos sauditas em Março de 2015 provocou mais de 12 mil mortos, destruiu grande parte das infra-estruturas do país e está na origem de uma situação humanitária catastróficaCréditos

Tanto as Nações Unidas como o Comité Internacional da Cruz Vermelha alertaram de imediato para as consequências humanitárias do bloqueio, na medida em que os sauditas estavam a impedir a entrada de ajuda, medicamentos e comida num país onde 17 milhões de pessoas passam fome e onde mais de 2000 foram vitimadas por uma epidemia de cólera.

Na quarta-feira passada, a aliança militar liderada pela Arábia Saudita decidiu levantar parcialmente o bloqueio que impusera a todas as entradas no Iémen – alegando querer «deter o fluxo de armas» –, depois de, no fim-de-semana anterior, a resistência Huti iemenita ter lançado um míssil balístico contra um aeroporto nas imediações da capital saudita, Riade.

No entanto, Russell Geekie, representante do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla em inglês), afirmou que o bloqueio persiste, mesmo com a reabertura do porto de Aden – na região sob controlo das forças aliadas de Riade – e da fronteira terrestre de Wadea.

«A reabertura do porto de Aden não é suficiente. É necessário levantar o bloqueio a todos os portos, especialmente Hudaydah [sob controlo dos hutis], tanto para a ajuda humanitária como para as importações comerciais», disse Geekie, citado pela TeleSur.

Antes do bloqueio imposto pelos sauditas, as Nações Unidas faziam entrar comida e medicamentos no Iémen através dos portos de Hudaydah, Salif e Aden. Nos últimos dias, houve intensos protestos na capital, Saná, contra o bloqueio, que se repetiram hoje, frente à sede da ONU.

Entretanto, já esta segunda-feira, a representação saudita junto das Nações Unidas anunciou que iria levantar o bloqueio, no espaço de 24 horas, a todos os portos em áreas controladas pelo seu aliado e ex-presidente do Iémen Abd Rabbuh Mansur Hadi, no Sul do país.

Quanto aos portos em zonas controladas pelos hutis, incluindo o de Hudaydah, os sauditas solicitaram às Nações Unidas o envio de uma equipa de especialistas para discutir formas de impedir aquilo a que chamaram «contrabando de armas» no Iémen, indica a PressTV.

Iniciada em Março de 2015, a campanha militar lançada contra o Iémen pela coligação liderada pela Arábia Saudita – alegadamente para recolocar no poder Abd Rabbuh Mansur Hadi e esmagar a resistência do movimento Ansarullah –, já provocou mais de 12 mil mortos, destruiu grande parte das infra-estruturas do mais pobre dos países árabes e está na origem de uma situação humanitária que as Nações Unidas classificam como «catastrófica».

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