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A olhar para o futuro, trabalhadores equatorianos recordam massacre de Guayaquil

Partidos, sindicatos e organizações sociais que integram o Comité Popular 15 de Novembro anunciaram que se vão mobilizar na próxima quarta-feira, em homenagem aos 101 anos de luta operária no país andino.

Manifestação de trabalhadores em Guayaquil no contexto de uma greve geral, dias antes do massacre, a 12 de Novembro de 1922 
Manifestação de trabalhadores em Guayaquil no contexto de uma greve geral, dias antes do massacre, a 12 de Novembro de 1922 Créditos / Wikipédia

Organizadas pelo Comité, no dia 15 estão programadas marchas nas cidades de Quito e Guayaquil, que contam com o apoio do Partido Comunista do Equador, do Movimento Guevarista, da Coordenadora pela Paz, a Soberania, a Integração e a Não Ingerência (CPAZ), a Frente Unida de Defesa do Instituto Equatoriano de Segurança Social (IESS) ou a Associação de Mulheres Nela Martínez, entre outros partidos, organizações sindicais e sociais.

Num comunicado emitido este sábado, os promotores das mobilizações lembram que 15 de Novembro de 1922 foi um marco significativo para a história do movimento operário no Equador, quando, no contexto de uma greve contra salários de miséria, por turnos mais curtos e outras reivindicações, uma gigantesca manifestação teve lugar na cidade de Guayaquil.

O então presidente José Luis Tamayo deu ordem para reprimir a mobilização, e milhares de trabalhadores foram massacrados, sem que se saiba ao certo o número exacto de vítimas.

Cartaz das mobilizações do 101.º aniversário do massacre de Guayaquil, a 15 de Novembro, que actualmente é celebrado como Dia do Trabalhador Equatoriano / Comité Popular 15 de Noviembre 

Para justificar a matança, o governo equatoriano de então classificou as exigências como «comunistas» e «exageradas», e acusou os trabalhadores em luta pelos direitos de serem «saqueadores» e «delinquentes», «terroristas, anárquicos e guerrilheiros», como lembrou o Movimento Guevarista há um ano, por ocasião do centenário do massacre.

«Isto marcou o início de um processo de construção do sindicalismo e da esquerda no país», lê-se no comunicado deste sábado.

Nele, refere a Prensa Latina, explica-se que em Quito a manifestação terá como objectivo reforçar os laços de unidade entre as organizações, preparar a resistência face a uma eventual onda neoliberal, defender a segurança social e erguer a voz em apoio à luta dos povos, em especial ao da Palestina, que faz frente a uma grande ofensiva sionista.

Explicaram ainda que, na cidade de Guayaquil, o evento funcionará como espaço de articulação para diversos sectores, tendo como objectivo fortalecer o tecido organizativo dentro do principal porto da cidade.

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