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OIT aponta más condições laborais como principal problema do emprego

A diminuição do desemprego a nível mundial não é seguida por melhorias nas condições de trabalho, afirma a OIT. Persistem a desigualdade, a precariedade e a pobreza entre os trabalhadores.

Num relatório recente, a Organização Internacional do Trabalho sublinha que ter emprego não é garantia de uma vida digna
Num relatório recente, a Organização Internacional do Trabalho sublinha que ter emprego não é garantia de uma vida digna CréditosWayne S. Grazio / OIT

Os dados que Organização Internacional do Trabalho (OIT) reuniu no relatório «Perspectivas sociais e do emprego no mundo: Tendências 2019», recentemente publicado, mostram que, em 2018, a maior parte dos 3300 milhões de pessoas empregadas no mundo não possuía um nível suficiente de segurança económica, bem-estar material e igualdade de oportunidades.

Mais ainda, destaca a OIT, os avanços registados no que respeita à diminuição do desemprego a nível mundial não se vêem reflectidos numa melhoria da qualidade do trabalho.

Caso se mantenham as tendências actuais, marcadas pela precarização das condições de trabalho, a OIT estima que seja impossível, para muitos países, alcançar a meta do «trabalho decente para todos», inscrita nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

Ter emprego não é garantia de uma vida digna

O organismo internacional sublinha que, embora ter um emprego devesse significar prosperidade, o facto é que «ter emprego nem sempre garante condições de vida dignas». Um dado significativo a este respeito é que 700 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza extrema ou moderada apesar de estarem empregadas.

Nos países com salários baixos ou médios, mais de um quarto dos trabalhadores viviam, em 2018, em condições de pobreza extrema ou moderada, facto que, segundo a OIT, atesta a má qualidade do trabalho.

Outro problema identificado e destacado pelo relatório é a elevada persistência do emprego informal – estima-se que dois mil milhões de trabalhadores (61% da população activa mundial) esteja nesta categoria –, com implicações no que respeita à qualidade do trabalho, dos rendimentos auferidos e da protecção social.

Outro aspecto também considerado preocupante pela OIT é que mais de um em cada cinco jovens (menores de 25 anos) não trabalha, não estuda, nem recebe qualquer tipo de formação – um facto que contribui para comprometer as perspectivas de trabalho.

Mulheres: persiste a desigualdade

O relatório da OIT sublinha a falta de avanço no que respeita à taxa de participação de homens e mulheres no mundo do trabalho, sendo que a das mulheres (48%) continuou a ser bastante inferior à dos homens (75%) em 2018.

Os indicadores da OIT relativos à subutilização da força de trabalho mostram ainda que esta é mais elevada no caso das mulheres (11%) do que no dos homens (7,1%). Também é muito mais provável que elas trabalhem a tempo parcial, mesmo que uma percentagem importante deixe claro que queria trabalhar mais horas.

De acordo com o relatório, calcula-se que em 2018 havia 172 milhões de pessoas desempregadas no mundo (taxa de desemprego de 5%). A OIT estima que o crescimento da população activa fará aumentar o número de desempregados em um milhão por ano, prevendo-se que, em 2020, se situe em 174 milhões.

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