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O México continua a ser perigoso para os jornalistas

López Obrador declarou que não tolerava a «impunidade» de governos anteriores, mas o México é um país perigoso para quem exerce a profissão. Esta quinta-feira, foi assassinado o quinto jornalista em 2022.

A organização Artículo 19 documentou 149 assassinatos de jornalistas no México desde 2000  
A organização Artículo 19 documentou 149 assassinatos de jornalistas no México desde 2000  Créditos / Al Mayadeen

Heber López Vásquez, director do portal Noticias Web, foi morto a tiro ontem à noite, em Salina Cruz, informou a Procuradoria-Geral do Estado Oaxaca, no Sul do México.

O titular da Procuradoria, Arturo Peimbert Calvo, disse que a Polícia Municipal deteve dois indivíduos em fuga, com a arma que presumivelmente foi utilizada para cometer o crime.

O responsável referiu que ainda não é conhecido o móbil do homicídio, mas que não descartava a possibilidade de estar relacionado com a actividade jornalística do falecido.

López Vásquez, de 39 anos, é o quinto jornalista assassinado no país latino-americano em menos de um mês e meio.

A 10 de Janeiro, foi morto José Luis Gamboa, em Veracruz; nos dias 17 e 23 do mesmo mês, foram assassinados Margarito Martínez Esquivel e Lourdes Maldonado, respectivamente, em Tijuana, Baixa Califórnia; no passado dia 31, em Zitácuaro, Michoacán, foi perpetrado o homicídio de Roberto Toledo.

Ainda em Janeiro, no dia 26, refere o La Jornada, o fundador e director do Pluma Digital Noticias, José Ignacio Santiago Martínez, foi alvo de um atentado – de que saiu ileso – na região de Mixteca.

A mesma fonte indica que o portal dirigido por Heber López Vásquez publicava notas políticas e que o seu director já tinha sido ameaçado em 2019.

47 jornalistas assassinados no período de Peña Nieto, 29 no de Obrador

A organização Artículo 19, que defende a liberdade de imprensa no México, entende que a impunidade que envolve a morte de jornalistas no país americano funciona como um incentivo para que estes crimes continuem a acontecer.

Apesar das detenções, investigações, julgamentos e condenações nos últimos anos, já no período de López Obrador, o país continua a destacar-se, na América Latina e no mundo, como um daqueles em que maior número de vozes da comunicação social são silenciadas a tiro.

Quando não se limitam ao papel de estrelas que promovem os seus livros em prime time, de papagaios do imperialismo e correias de transmissão dos interesses do capital monopolista, os jornalistas, frequentemente mordidos pela precariedade, a exploração e a instabilidade laboral, são vozes críticas de sistemas corruptos, do crime organizado, do narcotráfico, da avareza de transnacionais sobre os recursos naturais – e tornam-se um alvo.

A Artículo 19 documentou, entre 2000 e 31 de Janeiro de 2022, 149 assassinatos de jornalistas, por possível relação com o seu trabalho.

Destes, 47 foram perpetrados durante o mandato anterior de Enrique Peña Nieto e 29 no actual, de Andrés Manuel López Obrador, indica o organismo no seu portal.

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