Norte-americanos abandonam diálogo por cessar-fogo na Síria

Os EUA anunciaram ontem a suspensão unilateral do diálogo com a Rússia com vista a um novo acordo de cessar-fogo na Síria.

O secretário de Estado norte-americano (John Kerry, esquerda) informou a decisão ao seu homólogo russo (Sergei Lavrov, direita) durante a tarde de ontem
O secretário de Estado norte-americano (John Kerry, esquerda) informou a decisão ao seu homólogo russo (Sergei Lavrov, direita) durante a tarde de ontemCréditosKevin Lamarque

Num curto comunicado, o Departamento de Estado norte-americano anunciou a decisão unilateral. O porta-voz da Casa Branca afirmou que «não há nada para falar com a Rússia para tentar chegar a um acordo que reduza a violência na Síria.»


Em reacção, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, lamentou existirem «muitos que queriam quebrar os acordos desde o início, inclusivamente dentro da administração norte-americana». O responsável russo afirmou que a crise na Síria só pode ser ultrapassada «colectivamente – juntamente com os EUA, os países europeus e os principais países da região».

Hostilidades sobem de intensidade após fim do cessar-fogo

Esta decisão vem difucultar os esforços para uma solução política para o conflito na Síria e deverá reforçar as movimentações militares no território. Desde o fim do cessar-fogo que esteve em vigor entre 12 e 20 de Setembro, as hostilidades subiram de intensidade.

A 17 de Setembro, um ataque norte-americano fez cerca de 90 vítimas mortais na província de Deir es-Zor. A 20 de Setembro, um comboio com ajuda humanitária foi atingido por um ataque aéreo, perto de Alepo. Os EUA apressaram-se a acusar Damasco e Moscovo como responsáveis pelo ataque, ao que as autoridades russas desmentiram e avançaram com informações de que um drone norte-americano terá sobrevoado a região, de acordo com a Sputniknews.

Ataques no terreno são acompanhados por retórica belicista

O intensificar das operações militares no terreno tem sido acompanhado por uma escalada retórica, alimentada por Washington. Em resposta às questões da RT, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby, deixou ameaças veladas à Rússia.


Numa conferência de imprensa, a 29 de Setembro, Kirby deixou o aviso: «Grupos extremistas irão continuar a aproveitar os vazios [de poder] que existem na Síria para expandir as suas operações, que incluem, sem dúvida ataques contra interesses russos. Talvez até cidades russas. E a Rússia vai continuar a enviar para casa soldados em bodybags [tradução literal: sacos para transportar cadáveres].»