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Milhares de trabalhadores contra uma reforma que «consolida a precariedade»

Galiza, País Basco e Catalunha foram palco de manifestações contra uma reforma laboral que mantém «o mercado de trabalho assente na precariedade e na economia de casino».

Manifestação contra a reforma laboral, a precariedade e em defesa do quadro galego de negociação colectiva, em Vigo, a 30 de Janeiro de 2022 
Manifestação contra a reforma laboral, a precariedade e em defesa do quadro galego de negociação colectiva, em Vigo, a 30 de Janeiro de 2022 Créditos / CIG

Na Catalunha, as mobilizações coordenadas com as bascas e galegas tiveram lugar em Barcelona, este domingo, com os sindicatos a pedirem aos partidos catalães com representação no Congresso espanhol que não apoiem, no próximo dia 3 de Fevereiro, a proposta de reforma laboral acordada entre o governo espanhol, o patronato e os sindicatos CCOO e UGT.

Os sindicatos CGT, CNT, Intersindical Alternativa de Catalunya (IAC), COS, Cobas e Solidaritat Obrera também fizeram um apelo à mobilização no dia 29, exigindo a «revogação real» da reforma laboral de 2012 e acusando o actual executivo espanhol de «ter mentido»: «Nenhuma modificação que conte com o apoio da CEOE [associação patronal] fará mais que uma maquilhagem que consolida o pior do grave ataque que sofremos há dez anos», refere o jornal Público espanhol.

Na Galiza, a Confederação Intersindical Galega (CIG) promoveu mobilizações em 11 localidades contra uma reforma laboral que «consolida a precariedade». Nas ruas, milhares de trabalhadores exigiram a «revogação imediata» das reformas laborais de 2010 e 2012.

O secretário-geral da CIG, Paulo Carril, que participou na marcha realizada em Vigo, instou os deputados ao Congresso espanhol a não aprovarem a reforma negociada por governo, patronato e CCOO e UGT, e reclamou uma nova legislação que permita «recuperar direitos roubados e melhorar as condições de trabalho», indica a CIG no seu portal.

Carril não poupou palavras ao papel «entreguista» e de «tontos úteis» desempenhado por CCOO e UGT nesta «fraude», que actualiza a reforma de 2012 «à medida das duras e injustas condições impostas pela UE [União Europeia] para aceder a fundos comunitários».

No País Basco, milhares de trabalhadores, convocados pela maioria sindical basca, manifestaram-se nas quatro capitais provinciais – Bilbau, Donostia, Vitória-Gasteiz e Iruñea-Pamplona – para denunciar, tal como na Galiza e na Catalunha, a perpetuação da precariedade e a imposição do quadro estatal de negociação colectiva sobre os convénios que são negociados nas regiões autonómicas, para prejuízo dos trabalhadores.

Na manifestação de Bilbau participou e interveio a secretária-geral do sindicato LAB, Garbiñe Aranburu, que sublinhou a importância da luta nos locais de trabalho, nas ruas e no Congresso.

Para que o País Basco seja uma zona «livre de reforma», Aranburu referiu que está em marcha um novo ciclo de luta, mobilização e greves. O objectivo, disse, é que «em Euskal Herria haja trabalho, pensões e serviços públicos dignos».

A dirigente sindical insistiu que «esta reforma laboral perpetua a precariedade» e acusou o governo espanhol de ter vendido «uma mão cheia de nada aos trabalhadores». «Querem vender um acordo à medida do patronato, considerando-o histórico, quando perpetua a precarização. Mas isso não cola», disse.

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