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Milhares de palestinianos na despedida de Raed al-Salhi

O jovem faleceu na semana passada, depois de, há um mês, ter sido atingido por disparos das forças israelitas no campo de al-Duheisha. O Exército não escondeu que o perseguia por ser militante da FPLP e há quem fale num «assassinato extrajudicial».

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Imagem de um comício da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), força de esquerda hoje considerada «terrorista» por Israel e cujos militantes são perseguidos
Imagem de um comício da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), força de esquerda hoje considerada «terrorista» por Israel e cujos militantes são perseguidosCréditos / pflp.pl

O funeral de Raed al-Salhi, de 22 anos, realizou-se este sábado, um dia depois de as autoridades israelitas terem devolvido à família o seu corpo, que haviam retido durante seis dias. Em Belém, no Sul da Margem Ocidental ocupada, foi decretada uma greve geral até às 15h.

O corpo, envolto por uma bandeira da Palestina e outra da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), seguiu em cortejo fúnebre do Hospital Governamental Beit Jala, em Belém, para o campo de refugiados de al-Duheisha, acompanhado por milhares de pessoas, que pediam retaliações contra a violência de Israel e apelavam à unidade nacional, informa a agência Ma'an.

Os restos mortais de Raed al-Salhi, que faleceu quase um mês depois de ser atingido, foram depois levados para o Cemitério dos Mártires – onde são enterrados os palestinianos mortos pelos israelitas, na aldeia próxima de Artas –, num cortejo em que se viam bandeiras de várias facções palestinianas, sobretudo da FPLP.

Al-Salhi foi atingido no peito várias vezes, a curta distância, no decorrer de uma operação levada a cabo pelas forças militares israelitas na madrugada de 9 de Agosto. O jovem palestiniano ficou a esvair-se em sangue durante um hora e meia antes que uma ambulância o levasse para um centro hospitalar em Jerusalém, onde entrou em coma.

As autoridades israelitas são acusadas de não terem dado informações à família de al-Salhi enquanto este permaneceu em estado crítico. Segundo a Ma'an, é habitual as famílias palestinianas serem «mantidas no escuro» sempre que algum dos seus membros é ferido ou morto pelas forças israelitas.

Também bastante comuns são os «atrasos», por parte de Israel, na entrega às famílias dos corpos de palestinianos mortos, bem como as restrições severas impostas à realização dos funerais, sob o pretexto de que as cerimónias fúnebres de palestinianos mortos por forças israelitas levam ao «incitamento» à violência.

Por ser militante da FPLP

As operações nocturnas no campo de al-Duheisha ocorrem diariamente e al-Salhi é o último de vários palestinianos ali mortos em operações violentas. Grupos de defesa dos presos afirmam que se tratou de um «assassinato extrajudicial», na medida em que al-Salhi não constituía uma ameaça para os soldados quando estes o crivaram de balas.

O Exército israelita não quis falar à Ma'an sobre a operação militar, mas já ao jornal israelita Haaretz disse que o objectivo era prender al-Salhi por causa do seu envolvimento com a Frente Popular para a Libertação da Palestina, que as autoridades israelitas classificam como uma organização «terrorista».

De acordo com a Ma'an, al-Salhi foi o 55.º palestiniano morto por israelitas este ano. No mesmo período, 13 israelitas – quase todos agentes de uniforme ou colonos nos territórios ocupados – foram mortos por palestinianos.

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