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México vai prosseguir com acção contra fabricantes de armas nos EUA

Segundo revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros, o governo mexicano vai dar seguimento ao processo já instaurado, em Boston, contra diversas empresas que fabricam e vendem armas nos EUA.

Armas apreendidas pelas autoridades mexicanas (imagem de arquivo) 
Armas apreendidas pelas autoridades mexicanas (imagem de arquivo) Créditos / animalpolitico.com

Numa conferência conjunta com Santiago Cafiero, o seu homólogo argentino, o responsável da diplomacia mexicana disse esta quinta-feira, a propósito do tiroteio recente numa escola primária no estado norte-americano do Texas, que o seu país vai prosseguir com a acção já apresentada contra vários fabricantes de armas.

Marcelo Ebrard confirmou o facto, na Cidade do México, depois de se referir ao tiroteio no Texas como uma «tragédia imensa» e de afirmar que «vender uma arma de assalto a um jovem de 18 anos conduz a esse tipo de tragédia», indica a TeleSur.

Em seu entender, existe uma «uma negligência óbvia» por parte de todo este negócio de armas, que inclusive recorre a jovens para efeitos de propaganda e publicidade, e que levou, entre outros factores, a que tenham sido perpetrados 214 tiroteios em massa só este ano nos EUA, segundo dados ontem divulgados pela organização The Gun Violence Archive.

Em Agosto do ano passado, o governo de López Obrador anunciou uma acção contra 11 empresas que fabricam e vendem armas nos Estados Unidos, acusando-as de «negligência» por facilitarem o tráfico ilegal e, assim, potenciarem a violência e a morte no México.

Com o processo, apresentado num tribunal federal de Boston (estado de Massachusetts), o governo do México quer que empresas como Smith & Wesson, Colt's, Barrett Firearms, Beretta Holding, Ruger & Co e Glock compensem o país por «práticas negligentes» e «danos causados», informa a EFE.

Na semana passada, o Ministério de Segurança Pública revelou que, durante a governação de López Obrador, as autoridades mexicanas apreenderam 29 680 armas de fogo – mais 67,1% por comparação com igual período da administração de Peña Nieto.

No entanto, o México é um dos países com mais armas por registar, e estimativas oficiais apontam para mais de meio milhão de armas traficadas por ano a partir dos EUA.

Entre 70 e 90% das armas encontradas em cenas de crime no país azteca «têm como origem» os Estados Unidos, afirmaram as autoridades mexicanas em Abril último.

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