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Médicos peruanos em luta por mais protecção e melhores condições trabalho

A Federação Médica Peruana caracterizou a primeira jornada de luta como um «êxito» e lamentou a falta de diálogo da tutela, exigindo reforço de verbas para o sector, aumentos salariais e mais equipamentos.

Os médicos peruanos exigem um maior orçamento para o sector, aumentos salariais e mais protecção e equipamentos hospitalares
Os médicos peruanos exigem um maior orçamento para o sector, aumentos salariais e mais protecção e equipamentos hospitalares Créditos / emol

Os médicos e outros profissionais da Saúde estão a acatar a paralisação de 48 horas convocada pela Federação Médica Peruana (FMP) para 26 e 27 de Agosto, para exigir ao governo que cumpra o que prometeu, nomeadamente o pagamento do subsídio Covid-19 e a distribuição de mais equipamentos de protecção pelas unidades de saúde do país sul-americano.

Em declarações à Prensa Latina, o presidente da FMP, Godofredo Talavera, confirmou que, até à data, faleceram no Peru 385 profissionais da Saúde, 153 dos quais médicos. Sublinhou ainda que o primeiro dia de greve – que classificou como um «êxito» – ficou marcado por protestos em todo o país, frente a hospitais e outras unidades de saúde.

A maior manifestação decorreu frente ao Ministério da Saúde, em Lima, onde se viam cartazes a chamar a atenção para o número de colegas falecidos por Covid-19, se denunciava que «a indiferença das autoridades é mais mortal que o coronavírus» e se exigia o «reforço dos cuidados primários de saúde», além de um «maior orçamento para o sector».

Talavera, que lamentou a falta de diálogo da parte da tutela, destacou à imprensa que a greve não afectava os cuidados aos pacientes com diagnóstico ou suspeita de coronavírus, nem as emergências.

A meta, a médio prazo, deve ser 5% do PIB

A principal reivindicação da FMP diz respeito ao aumento do orçamento do Estado para a Saúde pública, que se situa actualmente nos 2,3% do produto interno bruto (PIB), o mais baixo da região, segundo explicou Godofredo Talavera.

O dirigente lembrou que o actual governo prometeu na campanha eleitoral que iria aumentar o orçamento em 0,5% por ano ao longo do quinquénio da governação, e que tal não foi cumprido, tendo acrescentado que a meta, a médio prazo, deve ser 5% e, depois, continuar a crescer.

Os profissionais da Saúde denunciam igualmente a carência de equipamentos de protecção individual contra o coronavírus, e exigem mais equipamentos médicos, fármacos, fornecimento de oxigénio, testes moleculares de diagnóstico e outros meios para enfrentar a pandemia.

Com o protesto, os trabalhadores reivindicam também o cumprimento do pagamento anual do aumento salarial acordado após uma longa greve, o fim dos salários em atraso a profissionais que trabalham em regime de precariedade e de outras dívidas pendentes aos trabalhadores.

Por seu lado, a ministra da Saúde, Pilar Mazzetti, considerou «lamentável» a greve e, sem aludir às reivindicações dos médicos e às falhas do ministério que coordena, disse que «a nossa população necessita do sistema de Saúde e o vírus não faz greve, nem levantamentos, nem marchas».

Godofredo Talavera, que recordou as carências com que médicos, enfermeiros e pacientes se confrontam, sublinhou que, com essas palavras, a ministra «quer pôr a sociedade contra os médicos».

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