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Médicos cubanos vão trabalhar em 15 estados do México

Obrador agradeceu a Cuba e lembrou a falta de médicos no seu país, em virtude das políticas privatizadoras dos neoliberais, uns «farsantes» que agora se queixam da deterioração que eles mesmos provocaram.

Créditos / La Jornada

Os 500 médicos cubanos contratados pelo México vão trabalhar nos 15 estados que aderiram ao plano de saúde a cargo do Instituto Mexicano de Segurança Social (IMSS) e Bem-estar, revelou esta segunda-feira o secretário da Saúde do país azteca, Jorge Alcocer.

Depois de Nayarit, onde já se encontram 60 médicos da Ilha, outros grupos seguirão para Colima e Tlaxcala, acrescentou. Este primeiro grupo recebeu formação sobre regulamentos internos e também relativos às instituições que vão apoiar.

De acordo com o funcionário mexicano, existe a possibilidade de contratação de especialistas de outros países, tendo como objectivo alcançar o número necessário de médicos recomendados internacionalmente, informa o La Jornada.

Este ano, o número de vagas por preencher nos hospitais e centros de saúde no país americano chegou a 20 mil e, nesse sentido, as autoridades também estão a fazer estimativas sobre o tempo que requer a formação de recursos humanos na área da Saúde.

Por enquanto, no estado de Nayarit, onde a cobertura das necessidades de especialistas alcança os 66%, os 60 médicos cubanos recém-chegados serão distribuídos pelos 11 hospitais envolvidos no plano a cargo do IMSS.

Neste estado da costa do Pacífico, o governo realizou um investimento no valor de 54 milhões de pesos em infra-estruturas da Saúde, sendo que uma parte destes recursos foi destinada à reabilitação de 11 blocos operatórios de hospitais estatais, que estiveram sem funcionar entre um e 14 anos, informa a fonte.

Falta de investimento na Saúde deixou o país sem médicos

Na conferência de imprensa matinal diária, no Palácio Nacional, o presidente mexicano voltou a agradecer a Cuba «a vontade solidária, de apoio e colaboração, do governo e do povo», por enviarem profissionais de Saúde para o seu país e, assim, ajudarem a fazer frente à falta de médicos existente no México, sobretudo de especialistas.

Andrés Manuel López Obrador instou os seus adversários políticos – que se têm mostrado muito críticos em relação à contratação de médicos cubanos, com a imprensa ao seu dispor a falar de «luxos» – a acreditarem nele quando diz que «não temos médicos, não temos especialistas», porque, explicou, no período neoliberal não se investiu o necessário na Saúde e na Educação, pois o projecto era privatizar os sectores sociais para favorecer o capital e atacar os direitos das pessoas.

O chefe de Estado denunciou que, com a política de privatizações, os neoliberais deixaram o país sem médicos – «e agora temos de recorrer ao governo que os tem, que os formou e tem a possibilidade de garantir os profissionais que são precisos», referiu, citado pela Prensa Latina.

Referindo-se ao estado de Nayarit, onde já estão os primeiros cubanos, López Obrador, lembrou que os pobres, para irem a um hospital privado, têm de vender o pouco que têm, as suas parcelas.

«Estamos a falar de fazer valer o direito à saúde, de cuidados médicos e medicamentos gratuitos, de saúde para toda a população, para aqueles que não têm segurança social, e isso explica por que os contratamos e por que agradeço ao governo e ao povo irmão de Cuba por este apoio», disse.

Referindo-se aos ataques dos seus adversários, disse que o seu objectivo é «concluir a transformação do México» e que, quanto mais o atacam, mais livre se sente e mais avançará.

Alertou ainda a população para que não se deixe enganar por «esses farsantes» que querem continuar a aproveitar-se da escassez de médicos e da deterioração do sector público da Saúde que eles mesmos provocaram.

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