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Homenagem aos fascistas sem pejo na Estónia, país da UE

Na localidade de Hyuthi, foi erguido um monumento aos colaboradores nazis, conhecidos como Irmãos da Floresta. Há 4 anos, a NATO já tinha promovido o revisionismo histórico enaltecendo esta «irmandade».

Inauguração de um monumento fascista na Estónia, há poucos dias 
Inauguração de um monumento fascista na Estónia, há poucos dias Créditos / contrainformacion.es

A notícia da inauguração do monumento de louvor aos fascistas no condado de Võru, no Sudeste da Estónia, foi divulgada pelo portal estónio ERR.

Irmãos da Floresta é designação da guerrilha que, entre 1944 e 1953, lutou na Estónia, Letónia e Lituânia contra as forças soviéticas. Nela participaram muitos legionários das Waffen-SS ou elementos que, nos países bálticos, haviam colaborado com as forças invasoras nazi-fascistas.

Em Julho de 2017, a NATO publicou na sua página oficial de YouTube o filme «Forest Brothers. Fight for the Baltics», promovendo o revisionismo histórico e o enaltecimento do fascismo em detrimento da URSS.

Junto ao vídeo, de oito minutos, afirmava-se que, «depois da Segunda Guerra Mundial, soldados do Báltico que tinham lutado em ambos os lados da guerra desapareceram nas florestas para travar a guerra de guerrilha mais sangrenta na Europa, contra as forças soviéticas ocupantes».

Então, a Aliança Atlântica publicou na sua conta oficial de Twitter o trailer do filme, com 55 segundos de duração, dizendo que se tratava da história dos «Forest Brothers», Irmãos da Floresta, que «lutaram contra o Exército soviético pelas suas pátrias após a Segunda Guerra Mundial», tratando com visível dose de heroísmo a guerrilha anti-soviética.

A diplomacia russa reagiu com bastante desagrado, pedindo que «se veja com respeito as páginas trágicas da história e se repudie tão repugnante acção da Aliança Atlântica», e dizendo esperar que «não seja necessário recordar os assassinatos massivos perpetrados por muitos dos membros dos Irmãos da Floresta».

A representação da Rússia junto da NATO considerou que o material fílmico constituía uma nova tentativa de reescrever a história, para a colocar de acordo com os processos políticos nas ex-repúblicas socialistas do Báltico, onde prolifera o neofascismo e o nacionalismo.

Funcionários na inauguração

O portal espanhol contrainformacion.es, que dá eco à notícia divulgada pelo site estónio, chama a atenção para o carácter institucional que é atribuído a uma guerrilha aliada dos nazis, tendo em conta que na cerimónia de inauguração do monumento estiveram funcionários estónios.

O monumento, refere o portal, é uma cópia aumentada de uma escultura de madeira realizada pelo antigo «irmão da floresta» Hugo Sturm, em 1946.

Na sua página de Facebook, a Embaixada da Rússia na Estónia teceu duras críticas à inauguração, sublinhando que «as tentativas de falsificar a história [...] não apenas insultam os veteranos do Exército Vermelho que vivem na Rússia e na Estónia, mas também servem como ambiente nutritivo para nacionalistas, xenófobos e radicais de todos os tipos».

Nos países bálticos, na Polónia e na Ucrânia, nos últimos anos tem-se assistido à reescrita da história, a marchas de glorificação do nazismo e dos seus colaboradores, que são também homenageados por via da toponímia urbana e através da colocação de placas em edifícios.

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