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Maduro: ensaio geral é preâmbulo da «grande vitória» de dia 30

Centenas de milhares de venezuelanos participaram, este domingo, no Ensaio Eleitoral para a Assembleia Constituinte. O chefe de Estado, Nicolás Maduro, sublinhou que a alta participação prenuncia a «vitória esmagadora» que o povo venezuelano alcançará no dia 30.

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Participantes no Ensaio Eleitoral para a Assembleia Constituinte, este domingo, em El Valle, Caracas
Participantes no Ensaio Eleitoral para a Assembleia Constituinte, este domingo, em El Valle, CaracasCréditosAlex Guzman / AVN

Na sua conta oficial de Facebook, Nicolás Maduro salientou «a determinação do povo venezuelano, que, de forma massiva, apoiou o Ensaio Eleitoral convocado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)», informa a Agencia Venezolana de Noticias (AVN).

A elevada participação no ensaio de ontem constituiu um «facto histórico», por comparação com ensaios realizados, destacou Maduro: «Nunca um processo deste tipo tinha sido tão fortemente apoiado. Até altas horas da noite centenas de pessoas continuaram nas filas dos centros eleitorais», precisou.

Agradecendo ao povo pela confiança e o apoio demonstrados, Nicolás Maduro mostra-se convicto da «grande vitória que teremos dentro de duas semanas» e afirma que, «todos juntos, construiremos a paz e a soberania».

Centenas de milhares, milhões a abrir caminho para a Constituinte

A grande afluência de pessoas aos 551 centros de votação disponibilizados pelo CNE, em todo o país, foi confirmada, ontem à noite, pela presidente do Poder Eleitoral, Tibisay Lucena.

Devido à grande participação popular no Ensaio Eleitoral Constituinte, decidiu-se deixar 600 máquinas de votação nas ruas de vários municípios, ao longo destas duas semanas, até dia 27 de Julho, para que os votantes possam continuar a familiarizar-se com o processo eleitoral para a Assembleia Nacional Constituinte, explicou Lucena.

Denúncia da manipulação mediática

O ministro venezuelano da Comunicação e Informação, Ernesto Villegas, criticou o diário espanhol El País, por deturpar a realidade do país e confundir a opinião pública internacional. No canal Venezolana de Televisión, Villegas acusou o jornal espanhol de «usar fotografias da grande participação do povo no Ensaio Eleitoral Constituinte» para fazer referência ao plebiscito – não constitucional – ontem promovido pela oposição, de direita.

«Ignorar um povo que é maioria e se identifica com a Constituição da República Bolivariana da Venezuela, com Chávez e a Revolução pode ter consequências terríveis para a construção do diálogo e da paz no país», sublinhou Villegas, citado pela Prensa Latina.

Óscar Pérez, que atacou o STJ e o Ministério do Interior, em Caracas, a ser entrevistado pela TVE, numa manifestação da MUD, no passado dia 13 Créditos / Alba Ciudad

A farsa do «plebiscito»

Também ontem realizou-se no território venezuelano a consulta convocada pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), plataforma de partidos da oposição ao governo de Nicolás Maduro que desde o início de Abril fomenta protestos violentos contra o poder legítimo do país, com o objectivo de pôr fim ao processo soberanista e progressista encarnado na Revolução Bolivariana. De acordo com a Alba Ciudad, a violência terrorista já provocou mais de 110 mortos.

Aquilo a que a oposição de direita e extrema-direita chamou «plebiscito» – com a cobertura dos grandes meios de comunicação internacionais e ao abrigo da ingerência de países ocidentais – carece de legalidade, na medida em que não se enquadra na Constituição do país caribenho e não é organizada pela entidade com competência para tal: o Conselho Nacional Eleitoral.

O plebiscito foi anunciado a 3 de Julho pelos dirigentes dos partidos da MUD, em termos não muito claros mas em que ficou clara a intenção de travar o processo das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte e de derrubar o governo de Maduro, com o apoio das Forças Armadas.

Logo no dia 5, o deputado Juan Requesens, do partido Primero Justicia, deixou as coisas mais às claras, afirmando, numa universidade em Miami, que a oposição pretendia declarar a «hora zero», para paralisar o país e instaurar um clima de ingovernabilidade que impedisse a realização das eleições de 30 de Julho para a Assembleia Nacional Constituinte.

No passado dia 13, o «terrorista Pérez», que a 27 de Junho sobrevoou Caracas num helicóptero roubado numa base militar e atacou o Ministério do Interior e o Supremo Tribunal de Justiça, reapareceu numa mobilização organizada pela MUD e falou em termos próximos aos de Requesens em Miami.

Ontem, em conferência de imprensa, representantes da coligação que organizou uma espécie de sondagem para consumo interno, garantiu que nela participaram 7 136 170 pessoas. O material eleitoral usado para o efeito foi entretanto incinerado, pelo que se torna impossível aferir com rigor, de forma independente, os números anunciados, revela a AVN. Tal não impede que a imprensa mundial, tão propensa a exigir rigor e critérios de pente fino aos seus «regimes», hoje divulgue o número de forma afinada.

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