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|Líbano

Jornalista libanês Hasan Illaik em fuga após criticar o bloqueio saudita ao Iémen

Illaik, alvo de um mandado de detenção, denunciou que a medida se enquadra numa campanha de repressão mais ampla, lançada por estados árabes que normalizam as relações com Israel.

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Hasan Illaik num programa do seu canal Al-Mahatta Créditos / captura de ecrã

O jornalista libanês Hasan Illaik encontra-se actualmente em fuga, depois de o Procurador-Geral do Líbano no Tribunal de Cassação, juiz Ahmad Rami al-Hajj, ter decretado uma ordem de detenção contra ele.

O «crime» por ele cometido é, segundo aponta o portal BreakThrough News, criticar o bloqueio saudita imposto ao Iémen numa publicação nas redes sociais.

Ao que parece, a publicação perturba as relações entre o Líbano e a Arábia Saudita. No dia 16 de Julho, Illaik escreveu na sua conta de Twitter (X): «Há mais de 11 anos que o regime saudita impõe um bloqueio criminoso às províncias do Norte do Iémen. Parece que o povo iemenita atingiu o limite e decidiu punir o criminoso que impôs este bloqueio, o arrogante e imprudente Mohammed bin Salman.» (Tradução da tradução inglesa feita pela jornalista Aseel Saleh; tradução do árabe com ferramentas do Google).

Depois de o mandado de detenção ter sido emitido, o jornalista libanês criticou a decisão do juiz como «ilegal e politicamente motivada» no seu canal de YouTube, Al-Mahatta.

Hasan, que acusou o Procurador-Geral do Líbano de ter sido nomeado a pedido dos sauditas, afirmou que a sua decisão carece de fundamentos legais e explicou que se recusou a comparecer no Departamento de Informações das Forças de Segurança Interna por causa de uma publicação numa rede social, uma vez que, enquanto jornalista, deveria comparecer exclusivamente perante o Tribunal da Imprensa – um direito que os trabalhadores da imprensa conquistaram no país depois de anos de luta, frisou.

 Do ponto de vista político, Illaik afirmou que a acção do Ministério Público representa a política da nova liderança libanesa, imposta ao país pelos EUA, a França e a Arábia Saudita.

«Desde que [o presidente] Joseph Aoun e [o primeiro-ministro] Nawaf Salam foram nomeados por decisão externa, o país tem sofrido mudanças constantes, dia após dia, como num golpe de Estado orquestrado por esta autoridade. Esta autoridade quer impor a transferência do Líbano de um campo para o outro, para o campo israelita. O objectivo é transformar o Líbano numa colónia», destacou Hasan.

Em seu entender, os que agora mandam no Líbano querem transformar o país num Estado policial, atacar a liberdade de expressão, esmagar quem se opõe a este estado de coisas e alterar a identidade do Líbano no que respeita às liberdades públicas.

Estados árabes que normalizam as suas relações com Israel jamais podem ser democráticos

Em conversa exclusiva com o BreakThrough News, Hasan afirmou que nenhum Estado árabe que opte por normalizar as suas relações com Israel pode ser democrático.

Explicou que estes regimes sabem muito bem que os seus povos se opõem à normalização das relações com Israel e apoiam quem quer que a confronte na região e no mundo, pelo que não podem optar pela normalização enquanto os seus povos usufruírem de um elevado nível de liberdade.

«À medida que o Estado libanês caminha para a normalização e a submissão perante o regime genocida israelita, tem de se tornar uma nova Arábia Saudita, um novo Emirados Árabes Unidos, uma nova Jordânia, um novo Egipto ou um novo Marrocos no que diz respeito à liberdade de expressão», declarou Illaik.

De acordo com o BreakThrough News, a repressão sobre activistas e jornalistas intensificou-se na região árabe durante a guerra em múltiplas frentes levada a cabo por EUA e Israel no Médio Oriente, resultando na detenção de mais de mil pessoas.

«Portanto, a emissão de um mandado de detenção contra mim ocorreu neste contexto. O contexto da repressão das vozes que se opõem ao caminho seguido pelo actual governo libanês», disse Illaik, acrescentando que, desta forma, o actual governo tenta não só silenciar a sua voz, mas também intimidar outras vozes contrárias à normalização.

A tutela de Riade e Washington sobre o Estado libanês

Para Hasan, o incidente evidenciou também a tutela que tanto a administração de Bin Salman como a de Donald Trump exercem sobre o Estado libanês.

«Estes, em conjunto com outros regimes, são os verdadeiros governantes do Líbano, guiados pela influência israelita e ameaçados pela influência de Al-Julani», disse Illaik, referindo-se à recente proposta de Trump de intervenção do governo sírio de Al-Sharaa no Líbano para desarmar o Hezbollah.

Salientou ainda que o regime saudita deseja controlar o nível de liberdades no Líbano, para evitar qualquer censura contra a Casa de Saud, a família governante da Arábia Saudita, e contra Mohammad Bin Salman, líder desse regime.

Ainda mais determinado para «dizer o que vos incomoda»

Em desafio à ordem de captura, Illaik declarou que ser detido é um pequeno preço que pagará para defender a sua causa, comparado com os elevados preços que os seus familiares e amigos já pagaram, ao serem mortos ou verem as suas casas destruídas pelas forças israelitas.

«Estou convencido de que o sacrifício é uma componente natural do compromisso com esta causa», disse, confirmando que, independentemente do tempo que estiver detido, sairá ainda mais determinado a dizer o que incomoda o Estado libanês e os seus patrocinadores.

Recorde-se que Illaik já tinha sido intimado para interrogatório em Janeiro último pelas autoridades judiciais do Líbano, depois de ter criticado um discurso do presidente libanês e a inacção do seu governo em relação às violações israelitas do acordo de cessar-fogo.

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