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China pede personagens «de carne e osso, com calor humano e alma»

A Administração Nacional de Rádio e Televisão da China faz um apelo à valorização dos guiões e das actuações nas produções. A instituição quer conter a escalada do que chama de «adoração da aparência».

A Administração Nacional de Rádio e Televisão da China deu um passo decisivo para redefinir os rumos da ficção televisiva, ao instar a indústria a abandonar a superficial «adoração da aparência» e a substituir o velho modelo centrado em estrelas por uma abordagem que coloca o guião e a escrita no lugar de destaque que merecem.

Durante um simpósio sobre «estética saudável» promovido pela direção de séries do organismo, ficou claro que o tempo dos rostos bonitos e da maquilhagem excessiva está a dar lugar a uma nova exigência: histórias cativantes, com carga emocional genuína e «densidade cultural». A mensagem é directa: o público quer mais do que atores atraentes — quer personagens «de carne e osso, com calor humano e alma».

De acordo com o China News Service, agência de notícias oficial, a reguladora criticou ainda figurinos desligados das personagens, caracterizações vazias e a «dependência do tráfego online» — ou seja, da popularidade digital como um fim em si mesmo. A advertência é também um elogio ao que realmente importa: que quem interpreta um papel seja credível nele, e que a narrativa transmita os valores e a tradição cultural chinesa sem perder a emoção genuína.

Nos últimos anos, a China tem travado uma batalha consistente contra os excessos do sector audiovisual — salários inflacionados, conteúdos pobres e estéticas ocas. Agora, o alvo é mais nobre: resgatar a alma do drama, onde o melhor argumento deve ser valorizado.

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