|Síria

Infiltrados britânicos capturados em Ghouta Oriental

A descoberta, pelo EAS, de planos para uma ofensiva contra Damasco apressou a libertação de Ghouta. Ao discurso das ameaças, a Rússia contrapôs necessidade de apuramento rigoroso do sucedido em Douma.

Mais de 1 100 000 pessoas foram evacuadas de Ghouta Oriental desde que o governo sírio pôs a funcionar o corredor humanitário
Mais de 1 100 000 pessoas foram evacuadas de Ghouta Oriental desde que o governo sírio pôs a funcionar o corredor humanitárioCréditosMikhail Alayeddin / Sputnik News

Militares britânicos terão sido capturados pelas forças militares que libertaram a região de Ghouta Oriental, segundo um trabalho publicado pela agência iraniana Fars. Os militares, muito provavelmente do Special Air Service (SAS), terão sido infiltrados no âmbito de planos norte-americanos e israelitas para uma ofensiva contra Damasco conduzida essencialmente por grupos de mercenários actuando sob a cobertura do radicalismo islâmico.

O plano foi descoberto pelo Exército Árabe Sírio (EAS), que contra-atacou com uma dinâmica inesperada para os agressores, apressando a libertação de Ghouta Oriental e surpreendendo os invasores, apesar de os dispositivos militares norte-americanos, ilegalmente em território sírio, terem conseguido evacuar muitos deles, como continuam a fazer com numerosos membros do Daesh.

Militares britânicos do SAS – grupo de operações especiais especializado em acções de «destrói e foge» paralelo ao US Navy SEALS – já tinham sido anteriormente detectados em outras regiões sírias controladas por grupos terroristas enquadrados pelo Daesh ou pela Al-Qaeda. Também após a libertação de Alepo mais de uma dezena de oficiais da NATO de várias nacionalidades foram capturados quando estavam escondidos em instalações de onde dirigiam as acções dos terroristas.

Fontes do Pentágono que pediram o anonimato consideram que o tempo entre as declarações ameaçadoras dirigidas contra a Síria e a realização da «retaliação» motivada pelo suposto ataque químico em Douma tem essencialmente a ver com divergências no interior da NATO.

De acordo com as mesmas fontes, alguns dos conselheiros do presidente Donald Trump defendiam que, apesar das várias opções disponíveis, lançar ataques contra a Síria ao mesmo tempo que na, mesma região, se desenvolvem conflitos graves entre membros estratégicos da NATO era um risco que devia ser muito bem calculado. Além de as relações entre Washington e Ancara estarem num dos níveis mais baixos dos últimos anos, o confronto indirecto, por vezes directo, entre a França e o Reino Unido, por um lado, e a Turquia, pelo outro, a propósito das movimentações curdas no Norte da Síria, continuam a provocar forte instabilidade interna na Aliança Atlântica.

Rússia insiste numa investigação objectiva

As ameaças de ataque militar contra a Síria, um Estado-membro da ONU, que foram sendo feitas pelos presidentes dos Estados Unidos e de França, constituíram uma «violação grosseira da Carta das Nações Unidos», lembrou a porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova.

A Rússia insiste na necessidade de um apuramento objectivo e minucioso no terreno da realidade dos acontecimentos envolvendo o alegado ataque químico realizado em 7 de Abril em Douma, acrescentou Zakharova. Ainda segundo a porta-voz, Moscovo defendeu sempre essa posição no Conselho de Segurança e proporcionará, em conjunto com as autoridades sírias, todas as condições de investigação aos enviados da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).

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