|Bolívia

Governo boliviano realiza grande investimento no departamento de Santa Cruz

O presidente boliviano anunciou a retoma do investimento público num departamento governado pelo «agitador» de extrema-direita Fernando Camacho. O orçamento é 149% superior ao executado em 2020.

O presidente boliviano (à direita) cumprimenta uma senhora no município de La Guardia (departamento de Santa Cruz) 
O presidente boliviano (à direita) cumprimenta uma senhora no município de La Guardia (departamento de Santa Cruz) Créditos / @LuchoXBolivia

Ao visitar o departamento de Santa Cruz, Luis Arce destacou, na quarta-feira, a reactivação do investimento público no departamento, sendo que o orçamento deste ano é superior em 149% ao executado durante 2020.

Para 2021, estão programados cerca de 5,1 mil milhões de bolivianos (mais de 640 milhões de euros), que têm como destino prioritário os sectores da produção e das infra-estruturas.

As autoridades do país andino-amazónico explicaram que, entre os projectos a executar, se encontram a construção e a ampliação de hospitais em sete municípios: Camiri, Puerto Suárez, San Ignacio de Velasco, San Julián, Warnes, La Guardia e El Torno.

Segundo refere a Agencia Boliviana de Información (ABI), as autoridades acrescentaram que o governo de Arce tem novos projectos para o departamento de Santa Cruz, na região oriental da Bolívia, nas áreas energética, hidrocarborífera e agropecuária, entre outras.

Esta sexta-feira, o Ministério do Planeamento do Desenvolvimento confirmou a atribuição da verba orçamentada, tendo afirmado que, «no âmbito da reconstrução do aparelho produtivo, o orçamento vigente dá prioridade aos projectos de infra-estruturas, sem descuidar os projectos de carácter social, particularmente os relacionados com a saúde».

Entre os de maior envergadura, estão a criação de Fábrica Siderúrgica Básica, em Mutún, para o fabrico de aço laminados, a construção da estrada San José de Chiquitos – San Ignacio e a recuperação da que liga Santa Cruz a Trinidad. Outros projectos programados são a construção de redes de gás domiciliário em Santa Cruz e a construção de dois parques eólicos.

As autoridades governamentais explicaram que, ao analisarem os dados do investimento e do crescimento económico, verificaram que o investimento estatal é um dos principais factores para o crescimento económico no departamento de Santa Cruz, indica a ABI.

Luis Arce durante a visita ao município de Buena Vista / @LuchoXBolivia

A «marcha indígena de Camacho»

Para esta sexta-feira estava prevista a chegada a Santa Cruz da marcha indígena que a 25 de Agosto partiu do departamento de Beni (Nordeste), com a característica peculiar de não se conhecer as suas reivindicações.

Aquilo que a referida marcha tem conseguido pelo caminho é reunir acusações de que é manipulada pelo actual governador do departamento de Santa Cruz, ex-presidente do Comité Cívico Pro Santa Cruz e que nos tempos mais acesos do golpe de Estado e da resistência a ele era apelidado como «facho Camacho».

Representantes da Central Indígena Regional Amazónica, do Consejo Nacional de Ayllus y Markas del Qullasuyu, da Confederación de Pueblos Indígenas del Oriente, Chaco y Amazonía, da Central de Mujeres Indígenas del Beni, do movimento aymara Ponchos Rojos, entre outros, foram deixando claro que a marcha não tinha «legitimidade» para representar os indígenas, e que respondia aos interesses de políticos e grupos de direita para desestabilizar o país e a acção do governo de Arce.

Em declarações à Bolivia TV, o antigo ministro Hugo Siles afirmou que o mero facto de Camacho apoiar esta marcha e assumir um papel de interlocutor a deslegitima.

Sublinhou ainda que este alegado apoio da extrema-direita aos indígenas contrasta com a realidade, uma vez que, historicamente, os povos originários das terras baixas e altas do país foram marginalizados por essa área política.

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