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Fumo dos incêndios na Amazónia espalhou-se pelo continente sul-americano

Apesar de esta época do ano ser de seca na Amazónia e noutras regiões florestais do Brasil, o grande número de fogos registados recentemente tem origem criminosa, na «acção predatória dos fazendeiros».

O Brasil de Fato sublinha que, na maioria dos casos, os fogos têm origem «na acção predatória de fazendeiros», que procuram expandir as áreas de pastagem ou para plantações de soja
O Brasil de Fato sublinha que, na maioria dos casos, os fogos têm origem «na acção predatória de fazendeiros», que procuram expandir as áreas de pastagem ou para plantações de soja Créditos / greenpeace.org

Uma notícia publicada esta terça-feira no portal Brasil de Fato dá conta do «ritmo acelerado» nas queimadas na floresta amazónica, de tal forma que o fumo era visível, na passada segunda-feira, na cidade de São Paulo.

As partículas das queimadas «viajaram milhares de quilómetros, primeiro rumo ao oeste do continente, chocando contra a cordilheira dos Andes», e rumando depois para sul, afirma a fonte noticiosa citada, precisando que o fumo que atingiu São Paulo retornou ao Brasil potencializado pelos incêndios florestais na Bolívia e no Paraguai.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil vive a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos, tendo sido registados, desde Janeiro, 71 497 focos de incêndio, mais 82% que em igual período do ano passado, quando foram registados 39 194 focos.

Os estados onde as queimadas mais cresceram foram Mato Grosso do Sul (260%), Rondónia (198%), Pará (188%), Acre (176%) e Rio de Janeiro (176%). Recentemente, no período de 17 a 19 Agosto, o Inpe registrou 5253 focos de queimadas em todo o Brasil, além 1618 na Bolívia, 1116 no Peru e 465 no Paraguai.

Sendo esta época de seca na Amazónia e noutras zonas de floresta do Brasil, a mata torna-se mais susceptível a incêndios e a seca pode ajudar a alastrar os fogos. No entanto, o Brasil de Fato sublinha que, na maioria dos casos, o fogo tem origem «na acção predatória de fazendeiros», que procuram expandir as suas áreas de pastagem ou para plantações de soja.

Imagem do sistema de monitorização climática Windy do dia 18 de Agosto com alta concentração atmosférica (manchas vermelhas) de monóxido de carbono nos estados do Acre, Rondónia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, passando por Bolívia e Paraguai Créditos

Fazendeiros promoveram «dia do fogo» no Pará

No passado dia 10, várias cidades ao longo da via BR-163, no Sudoeste do estado brasileiro do Pará, ficaram cobertas por densas nuvens de fumo, depois de fazendeiros dessa região da Amazónia terem promovido um «dia do fogo».

De acordo com o Brasil de Fato, os ataques reiterados de Jair Bolsonaro «às políticas ambientais, aos ambientalistas e aos órgãos de fiscalização estimularam» os fazendeiros a realizar esta acção. Segundo o jornal local Folha do Progresso, a ideia era chamar a atenção do governo: «Precisamos de mostrar ao presidente que queremos trabalhar e o único jeito é derrubando. E, para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo», disse um dos organizadores da acção.

Só na principal cidade da região, Novo Progresso, foram registados 124 focos de incêndio no dia 10 e 203 casos no dia seguinte. Na cidade de Altamira, houve 194 casos no sábado, dia 10, e 237 no dia 11. De acordo com a Folha de S. Paulo, o Ministério Público Estadual está a investigar o caso.

Recorde-se que o actual presidente brasileiro, que se autodesignou «capitão motosserra», já mostrou que não gosta dos dados divulgados pelo Inpe – nomeadamente os relativos à desflorestação ou desmatamento – e trocou o presidente do Instituto, substituindo Ricardo Galvão por um oficial da Força Aérea.

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