O director do Centro de Estudos Hemisféricos e sobre os Estados Unidos na Universidade de Havana lembrou que, nesse núcleo duro, se incluem a Lei Helms-Burton (posta em vigor por Bill Clinton em 1996) e a inclusão da Ilha arbitraria lista arbitrária dos estados patrocinadores do terrorismo.
Além disso, a Casa Branca não pôs de parte as decisões que mais consequências negativas trazem para a economia do país caribenho, notou Rodríguez.
Apesar disso, o investigador defendeu que as decisões agora divulgadas pelo Departamento de Estado, no sentido de facilitar as viagens e o envio de remessas para Cuba, bem como a ampliação dos serviços consulares de Washington em Habana, «vão na direcção correcta».
Em declarações à Prensa Latina, Raúl Rodríguez advertiu que ainda é preciso esperar pelas regulamentações específicas com vista à implementação das directrizes anunciadas, que podem estar sujeitas a variações em função do ambiente político.
Disse que o anúncio das novas disposições pode estar relacionado com críticas de personalidades da região ao facto de a actual administração norte-americana ter mantido a mesma política hostil e agressiva do período de Donald Trump (2017-2021), depois de Biden, na campanha eleitoral, ter prometido revertê-la.
«Talvez Washington queira limpar a sua imagem de agressor face ao impacto humanitário das sanções contra Cuba, mas as novas medidas mantêm a sua postura de impedir o governo cubano de obter fundos», explicou Rodríguez.
Para o investigador, os EUA procuram potenciar directamente o sector privado, que por sua vez poderia ser um agente de mudança a nível interno no país, sendo esse o objectivo primordial da Casa Branca.
Não há «mudança radical»
Ao participar esta terça-feira no programa de TV «Mesa Redonda», o vice-ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Carlos Fernández de Cossío, também considerou as decisões anunciadas como «um passo limitado na direcção correcta», na medida em que não alteram o bloqueio imposto por Washington a Cuba.
Estas supostas flexibilizações «não são sinal de uma mudança radical da política em relação a Cuba ou ao seu povo», disse, considerando que reflectem o fracasso da operação política e mediática financiada pelos EUA, bem como do reforço do bloqueio durante a pandemia de Covid-19, que provocaram os distúrbios em Julho do ano passado na Ilha.
O diplomata cubano destacou que as medidas anunciadas se apresentam como forma de «ajudar o povo cubano», quando aquilo que Washington antes decidiu foi «provocar escassez e penúria».
Fernández de Cossío disse que podem passar meses até que estas medidas sejam implementadas e, nesse sentido, pediu cautela «no momento de medir o seu alcance».
«O mais provável é que continue a ser aplicado o bloqueio, pelo que temos de o enfrentar com criatividade, inovação e resistência», frisou.
O Departamento de Estado norte-americano anunciou esta segunda-feira um pacote de medidas que flexibilizam algumas das 243 normas impostas pela administração de Donald Trump.
Estas incluem a eliminação dos limites de envios de remessas, o restabelecimento do programa de reunificação familiar, a autorização de voos charter e regulares para a Ilha, o aumento dos serviços consulares em Havana, a autorização de contactos profissionais e de âmbito educativo.
Estas e outras medidas, que ainda carecem de regulamentação efectiva, foram anunciadas como forma de «aumentar o apoio ao povo cubano […] (que) enfrenta uma crise humanitária sem precedentes». O que não se diz é que o cerco económico unilateral imposto por Washington é a principal razão dessa crise.
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