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Eleições na Venezuela: autoridades criticam ingerências externas

«Nunca se tinha visto tanta ingerência externa numas eleições na Venezuela como agora», denunciou este domingo o chefe de campanha do Comando Zamora 200, Jorge Rodríguez.

Observadores internacionais destacam o civismo e a participação no acto eleitoral que hoje está a decorrer na Venezuela
Observadores internacionais destacam o civismo e a participação no acto eleitoral que hoje está a decorrer na VenezuelaCréditos / talcualdigital.com

Numa conferência de imprensa no Teatro Bolívar, na capital, o também presidente do município de Caracas e dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) lamentou que forças externas estejam «a cantar fraude a esta hora», quando está a começar a votação nos 23 estados do país, que hoje elegem os seus governadores.

Jorge Rodríguez referiu-se ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e convidou-o a ver «como se fazem umas eleições na Venezuela». «Aqui não andamos à bastonada a ninguém. Rajoy devia pelo menos ver algumas imagens de como se respeita a expressão democrática de um povo, seja qual for a sua opinião», disse, citado pela AVN.

Aplaudiu o povo venezuelano pelo facto de estar a exercer o seu direito ao voto neste domingo «em absoluta paz», para «reafirmar a sua soberania», e perguntou o que é o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, o do Brasil, Michel Temer, o espanhol Rajoy ou Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) têm a ver com assuntos que só dizem respeito aos venezuelanos.

É «risível e absurda» a posição de Santos ao incentivar o voto na direita e ao tornar-se um porta-voz desses grupos, acrescentou, sublinhando que são os venezuelanos que, nestas eleições – a 22.ª em 18 anos –, têm de decidir sobre as questões políticas e sociais do país.

Rodríguez referiu-se ainda ao facto de alguma comunicação social – que assumiu uma atitude parcial e manipuladora sobre as acções de violência que precederam as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) – estar agora a reconhecer que o processo eleitoral regional está a decorrer sem incidentes.

Em seu entender, trata-se de um «milagre» alcançado pela ANC, hoje confirmado pelas eleições dos governadores de 23 estados do país e uma mensagem enviada pelos venezuelanos à direita mundial, liderada pelos Estados Unidos.

Urnas abertas até às 18h

Nas eleições regionais que hoje se realizam, podem votar mais de 18 milhões de eleitores inscritos nos cadernos eleitorais, ficando de fora os do Distrito Capital (porque esta entidade possui um regime especial de governo) e os residentes no estrangeiro.

Concorrem, em todos os estados, candidatos do Grande Pólo Patriótico – que integra dez partidos, entre os quais o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e o Partido Comunista da Venezuela (PCV) – e da chamada Mesa da Unidade Nacional (MUD), de direita.

Os 13 559 locais de voto abriram às 6h e encerram às 18h (hora local), mantendo-se abertos enquanto houver eleitores à espera para votar. Observadores internacionais destacaram, em diversas ocasiões, a fiabilidade, credibilidade e transparência do sistema eleitoral venezuelano. Já hoje, felicitaram o povo venezuelano pelo seu «civismo» e pela «participação democrática».

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