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El Salvador agradece apoio de Cuba na alfabetização

O chefe de Estado salvadorenho, Sánchez Cerén, declarou 2018 como Ano da Alfabetização e reconheceu este sábado o papel de Cuba numa campanha que visa erradicar o analfabetismo do país até 2019. Também anunciou mudanças no executivo, após as eleições de dia 4.

Com o apoio de Cuba, El Salvador quer erradicar o analfabetismo do país até 2019
Com o apoio de Cuba, El Salvador quer erradicar o analfabetismo do país até 2019Créditos / programadealfabetizacion

Tal como Salvador Sánchez Cerén, actual presidente de El Salvador e um dos dirigentes históricos da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), também o ministro da Educação, Carlos Canjura, reconheceu o trabalho dos assessores pedagógicos cubanos num processo em que o executivo fez uma aposta forte: poder declarar El Salvador livre de analfabetismo até 2019, potenciando o desenvolvimento do país centro-americano.

Sánchez Cerén instituiu 2018 como Ano da Alfabetização, pelo que, actualmente, as autoridades do país estão envolvidas numa ofensiva nacional que visa alfabetizar os cerca de 370 mil salvadorenhos com mais de 15 anos que ainda não sabem ler, escrever e realizar cálculos básicos.

O projecto, que abrange os sectores público e privado, conta com pelo menos 100 mil alfabetizadores voluntários. De acordo com María Angélica Paniagua, directora do Programa de Alfabetização, o problema já foi erradicado em 70 municípios do país, tendo a sua incidência passado dos 18 para 10% durante os governos da FMLN, indica a Prensa Latina.

Também presente no encontro de ontem na capital do país da América Central, o embaixador de Cuba, Carlos Zamora, evocou a campanha de alfabetização levada a cabo na ilha caribenha nos alvores da Revolução cubana, bem como a aplicação de modelos de ensino em diversos países, seguindo um princípio de solidariedade e internacionalismo.

Eleições: «mensagem ouvida com humildade»

Referindo-se aos resultados pouco positivos para a FMLN nas eleições legislativas e municipais realizadas no passado dia 4, Sánchez Cerén afirmou, na mesma ocasião, que nenhum ministro está agarrado ao seu cargo e falou na possibilidade de efectuar mudanças, no Conselho de Ministros da próxima terça-feira, de modo a «rectificar as coisas más e fortalecer as boas na gestão» do actual executivo.

O chefe de Estado acrescentou que haverá mudanças, incluindo no seu gabinete, «para responder à mensagem de inconformidade expressa pelo povo nas urnas» e «mostrar aos salvadorenhos que a sua mensagem foi ouvida com humildade».

As eleições legislativas e municipais de domingo passado, 4 de Março, ficaram marcadas pela elevada abstenção e pela descida acentuada da FMLN. Após o escrutínio preliminar, que terminou a 6 de Março, verifica-se que a Aliança Republicana Nacionalista (ARENA, de direita) consegue melhores resultados que os alcançados nas eleições legislativas e municipais de 2015, obtendo mais dois deputados na Assembleia Legislativa (37) e 135 autarquias, tendo conseguido recuperar a da capital.

Já a FMLN perdeu oito deputados (obteve agora 23 dos 84 assentos na assembleia) e 22 municípios (governa agora em 64). Esta semana, o partido de esquerda anunciou que vai enfrentar um processo de reflexão e de mudanças, tendo como objectivo «recuperar a confiança do povo e defender as conquistas sociais nas eleições presidenciais de 2019».

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