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Deputados e sectores populares exigem justiça para os golpistas na Bolívia

Eleitos e activistas bolivianos denunciam que os agentes políticos que promoveram a ruptura constitucional não responderam perante a Justiça e criam obstáculos ao avanço do processo.

A perseguição golpista atinge manifestantes nas ruas que exigem democracia e a renúncia da «autoproclamada» Jeanine Áñez (imagem de arquivo) 
A perseguição golpista atinge manifestantes nas ruas que exigem democracia e a renúncia da «autoproclamada» Jeanine Áñez (imagem de arquivo) Créditos / Página 12

A ex-presidente golpista Jeanine Áñez foi recentemente condenada a dez anos de cadeia num processo designado como Golpe de Estado II e aquilo que alguns eleitos e populares agora exigem é o avanço do caso conhecido como Golpe de Estado I.

Trata-se de fazer com que Áñez e aqueles que a acompanharam no seu período de governação, entre 2019 e 2020, bem como outros agentes políticos, responsáveis pelo golpe de Estado contra Evo Morales, sejam julgados pelos «crimes de terrorismo e conspiração», informa a Agencia Boliviana de Información (ABI).

Aldo Michel, coordenador do Comité Promotor do julgamento contra Áñez, disse esta quinta-feira que, apesar das chicanas processuais, juízes e procuradores «têm de se colocar em sintonia com o clamor popular, das vítimas, dos sectores sociais, do povo boliviano».

Também se referiu aos obstáculos que os participantes no golpe de Estado de Novembro de 2019 colocam para atrasar ou impedir o desenrolar do processo, como não se apresentar nas audiências em que têm de depor.

Recentemente – explica a ABI –, um advogado apresentou uma petição à Procuradoria de La Paz para que o processo penal passasse também a considerar diversos agentes políticos da direita e extrema-direita, responsáveis pelo golpe ou por factos sangrentos a ele associados, como Carlos Mesa, Jorge Quiroga, Luis Fernando Camacho, Waldo Albarracín, Israel Alanoca e Samuel Doria Medina.

Sergio de la Zerda, deputado eleito por Cochabamba, considerou adequada esta petição, uma vez que «Áñez não agiu sozinha».

«Recordemos, de forma clara, as declarações do Senhor Mesa opondo-se a que fosse constituída uma verdadeira substituição constitucional [para evitar a usurpação]», declarou De la Zerda.

Em declarações à rádio Fides, o deputado lembrou ainda que Camacho admitiu «que o seu pai comprou polícias e militares para que não controlassem as mobilizações, enquanto Tuto Quiroga deu ordens ao Exército sem estar capacitado para tal».

Só um assessor de Carlos Mesa depôs

Esta quarta-feira, a Procuradoria de La Paz ouviu o depoimento de um assessor do ex-presidente Carlos Mesa, Ricardo Paz, que admitiu ter participado na reunião de 10 de Novembro de 2019, na Universidade Católica Boliviana, na qual foi decidido o golpe de Estado contra Evo Morales, indica a TeleSur.

Ricardo Paz foi o único de uma série de intimados que se dirigiu à Procuradoria para depor, na fase instrutória do processo.

«Os agentes internos e externos do golpe de 2019» tiveram uma participação activa, a nível intelectual e material, frisou o deputado Héctor Arce, que considera «inaceitável» que Carlos Mesa, Doria Medina, Camacho e Albarracín não tenham respondido à Justiça até ao momento.

Numa outra ocasião, o ministro boliviano da Justiça, Iván Lima, denunciou que os «parceiros» políticos de Áñez estão a impedir o avanço da investigação do processo Golpe de Estado I com «chicanas, demoras injustificadas» e um presumível «abuso do sistema processual».

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