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|Turquia

Comunistas turcos contestam proibições em torno da cimeira da NATO

A cimeira celebra-se em Ancara a 7 e 8 de Julho envolta em medidas excepcionais de segurança. O TKP denuncia como «vergonhosas» as proibições decretadas e apela à mobilização contra a NATO.

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Créditos / tkp.org.tr

O governador de Ancara decretou medidas adicionais de restrição de direitos esta terça-feira, vigentes na capital turca por um período de 13 dias (de 28 de Junho a 10 de Julho), alegando a necessidade de garantir a segurança da cimeira da NATO e de manter a «ordem pública».

Na sua conta de Twitter (X), o Partido Comunista da Turquia (TKP) classificou a decisão como «vergonhosa» e revelou que, logo na terça-feira, os advogados do partido apresentaram uma acção judicial com vista a suspender e anular a medida, que «proíbe manifestações e eventos anti-NATO na capital simplesmente porque os líderes da NATO, a maior organização terrorista do mundo, estarão em Ancara».

Na mesma mensagem, os comunistas turcos frisaram que o seu país «não pertence nem aos representantes da NATO nem aos que com ela colaboram», e apelaram a todos os patriotas a intensificarem «a luta contra o imperialismo».

Segundo refere o portal nuevarevolucion.es, o presidente turco já havia decretado a proibição total de qualquer tipo de mobilização nas ruas de Ancara antes mesmo da celebração da cimeira, no âmbito de um gigantesco dispositivo de segurança que o governo turco justifica com a presença no país dos líderes dos 32 países da Aliança, mas que organizações de oposição encaram como forma de silenciar «vozes críticas» ao conclave.

De forma «preventiva», antes mesmo da entrada em vigor das proibições, forças de segurança levaram a cabo uma enorme operação na capital turca esta terça-feira, que envolveu a detenção de pelo menos 209 pessoas – alegados «extremistas», na esmagadora maioria de esquerda.

O facto de terem sido presos alguns activistas políticos levou à alegação de «detenções arbitrárias», refere a AP, bem como à de aproveitamento da cimeira, por parte do governo turco, para intensificar a repressão sobre organizações da oposição.

Mobilização agendada para dia 5 de Julho é agora ilegal

No início do mês, o TKP apelou à participação numa manifestação contra a cimeira da Aliança a realizar a 5 de Julho, no âmbito de uma «Cimeira anti-NATO» que havia sido agendada para a capital turca, de 4 a 12 de Julho, com conferências e actividades diversas.

Exortando todos os sectores progressistas, patrióticos e revolucionários a participar, o TKP denunciou a cimeira como um acto de submissão aos interesses dos monopólios multinacionais e do imperialismo, e criticou a falta de resposta às necessidades do povo turco.

Na mesma senda, o partido afirmou que, desde a sua fundação, a NATO «trouxe guerra e destruição aos povos pelo mundo fora», e alertou para uma maior integração da Turquia na agenda política e militar da Aliança, com a celebração do conclave.

Já esta quarta-feira o TKP voltou a denunciar o encerramento de Ancara com as medidas decretadas e, sublinhando que o país «não é dos otanistas, é do povo trabalhador», anunciou uma mobilização contra a NATO para o próximo sábado em Kadiköy (Istambul).

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