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Causador de sismos, mas não só, fracking é estimulado na Colômbia de De La Espriella

A fractura hidráulica para extracção de gases está suspensa na Colômbia enquanto se apura a proibição da prática nociva para o meio ambiente e para as populações. O novo presidente quer impulsionar o seu uso.

Num timing que parece cármico, a Colômbia agora governada por Abelardo De La Espriella sofreu um sismo de magnitude de 7,4 que arrasou diversas localidades. Acontece que o político de extrema-direita teve uma bandeira muito específica durante a sua campanha à presidência: o uso do fracking para extração de hidrocarbonetos, que na imensa lista de perigos documentados está a indução da actividade sísmica.

Como funciona

Considerado uma das formas de exploração de hidrocarbonetos mais nocivas que existe, o fracking (em português fractura hidráulica) é um método que, através da injecção de líquidos (água e solventes químicos) em alta pressão e altas temperaturas, provoca fissuras nas rochas subterrâneas. Com as fissuras abertas, é injectado enormes quantidades de areia, que expulsa os gases e óleos até à superfície para serem recolhidos.

Impactos ambientais

A preocupação com o uso da técnica não é novidade e os seus diversos riscos são conhecidos há anos, inclusive com incidentes de larga escala. Um dos principais riscos é a contaminação dos aquíferos a partir da injecção dos solventes químicos, com efeito na saúde das populações que consomem essas águas, para o uso doméstico e agropecuário. Além da contaminação, os recursos hídricos também são fortemente impactados pelo enorme volume de água necessário para o procedimento. 

A qualidade do ar também costuma ser afectada com a libertação de gases poluentes e a grande quantidade de lixo industrial produzido, onde se inclui partículas de urânio, rádio e demais elementos químicos relacionados com o desenvolvimento de esterilidade, malformação congénita e cancro. À National Geographic, a especialista Sandra Steingraber conta, nas proximidades dos terrenos de exploração, que o fracking é a «principal fonte de smog», aquela poluição de ar densa semelhante ao nevoeiro, porém tóxico, fruto da mistura de gases nocivos com vapor de água.

O fracking é também responsável por provocar sismos em regiões onde antes não havia actividade sísmica. Apesar de artificial, os sismos induzidos não diferem dos naturais em consequência: impacto estrutural nos edifícios, deslizamentos de terra e tudo o que isso acarreta para as populações.

Na formação rochosa de Vaca Muerta, na Argentina, opera-se desde 2010 um mega projecto de fracking. «Desde então, o solo não parou de tremer», conta o Dialogue Earth que apura um crescimento consistente de sismos a partir do Observatório de Sismicidade Induzida (OSI). «Entre 2018 e Junho de 2025, o OSI registou 548 terramotos em Vaca Muerta, todos associados a operações de fracking. Só no primeiro semestre de 2025 foram 36 tremores, mais que os 33 no mesmo período de 2024, os 27 em 2023, 10 em 2022, 11 em 2021 e 28 em 2020».

A operação do fracking também se auto-sabota, com os sismos a ameaçar os oleodutos, os reservatórios, as infraestruturas subterrâneas e da superfície. Aumentando os riscos já verificados antes, como as libertações ao que acrescem os incêndios e explosões.

A proibição na Colômbia e a vontade de recomeçar

Com uma das maiores biodiversidades no planeta, o país latino-americano tem grandes jazidos de hidrocarbonetos e muitas corporações petrolíferas interessadas na sua exploração. Assim, durante o governo do ex-presidente Juan Manuel Santos, um decreto-lei permitiu o uso dessas reservas. Mas como já se somam vários anos de luta dos povos colombianos pela proibição do fracking, em 2019 a pressão popular fez o Conselho de Estado suspender provisoriamente esta legislação, num processo que a considera inconstitucional. Essa decisão, ainda por ser oficializada, impede que o fracking seja usado no país, tanto para fins comerciais como para investigação, inclusivamente as operações que já estavam em andamento da colombiana Ecopetrol e da norte-americana Exxon Mobil. 

A proibição efectiva do fracking era uma promessa de campanha de Gustavo Petro, que não se concretizou, e que agora, com Abelardo De La Espriella no poder, poderá ter outra resolução.

Na passada sexta-feira, dia 7 de Agosto, De La Espriella foi empossado no Batalhão de Pichincha, na cidade de Cali, numa cerimónia que fugiu à tradição colombiana, não tendo acontecido na capital Bogotá. No discurso, o novo presidente destacou o seu compromisso com a regulamentação do fracking. Sem relação causa-efeito, mas com particular valor simbólico, a cidade de Cali foi fortemente atingida por um sismo, três dias depois. A promessa do fracking vinha desde a sua campanha.

De La Espriella disfarçou o mais puro interesse económico com uma suposta preocupação com a soberania energética do país. No mesmo discurso também anuncia: «Quero dizer aos líderes empresariais da Colômbia, de grande, média e de pequena dimensão, que este Governo será o seu parceiro para investir na Colômbia. Mais uma vez, será uma decisão segura e lucrativa para vocês». Além de extremamente nociva, o fracking é altamente lucrativo. 

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