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Com grande preocupação humanitária, EUA decretam novas sanções contra o Iémen

Os EUA, de longe o país que mais lucrou com a chacina no Iémen e que é acusado de fazer uma guerra por procuração no terreno, impuseram novas sanções contra o país árabe.

Créditos / MintPress News

Na rede social Twitter, Mohammed Ali al-Houthi, membro do Conselho Político Supremo do Iémen, reagiu às sanções decretadas quinta-feira passada pelo Departamento norte-americano do Tesouro afirmando que «a América dá prioridade à opção da guerra no Iémen e ao mesmo tempo finge que apoia a paz». «A imposição de sanções com o pretexto de assegurar a paz representa um obstáculo para a última», disse.

Al-Houthi destacou que as medidas punitivas contra o sector privado iemenita, as impostas ao banco central do país, os bombardeamentos a fábricas e outras infra-estruturas produtivas, o bloqueio que conduz o povo à fome e o fim do pagamento dos salários aos funcionários públicos são crimes, que se enquadram no esquema sistemático para sufocar a economia iemenita, refere a PressTV.

Na quinta-feira passada, dia 10, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs novas sanções ao país árabe, desta vez centradas numa rede que é acusada de financiar o movimento de resistência popular Huti Ansarullah – que está no cerne do governo que administra o país a partir da capital, Saná, e lidera a resistência à agressão externa que lhe é imposta desde Março de 2015.

«Esta rede gera dezenas de milhões de dólares em receitas da venda de commodities, como o petróleo iraniano, uma parte significativa da qual é depois direccionada através de uma complexa rede de intermediários e casas de câmbio em vários países para os Hutis», afirmou o Departamento do Tesouro em comunicado.

Entre os alvos directos destas novas sanções contam-se dois iemenitas, dois sírios, um emiradense, um somali e um indiano, além de entidades com sede no Dubai, Istambul e Saná, informa a PressTV.

A memória curta do Tesouro

«O apoio financeiro desta rede permite os ataques deploráveis dos Hutis, que ameaçam infra-estruturas civis e críticas no Iémen e na Arábia Saudita. Estes ataques minam os esforços para acabar o conflito e, o que é mais trágico, deixam dezenas de milhões de civis inocentes a morrer à fome», refere ainda o comunicado.

O texto do Tesouro – tão preocupado com a fome dos iemenitas e com os ataques que ameaçam infra-estruturas civis – não faz menção ao papel dos EUA na guerra de agressão ao Iémen, ao apoio que foi prestado pelos norte-americanos desde o início à coligação liderada pelos sauditas, aos milhares de milhões de dólares que os EUA lucraram com a venda de armamento aos sauditas – algum do qual, como se veio a provar, foi utilizado para massacrar a população civil do Iémen.

Os milhares de mortos, a fome, a cólera, a maior crise humanitária dos tempos modernos, como a classifica a ONU, não existiriam no Iémen sem Washington – agente primeiro na guerra, tal como o Reino Unido, e outras potências ocidentais (França e Alemanha) e regionais (Israel, Emirados Árabes Unidos, Egipto), em maior ou menor escala.

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