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Centenas de neonazis homenagearam em Madrid a Divisão Azul

No acto, que tem lugar em Madrid desde 2007, os neonazis juntam-se para assinalar a Batalha de Krasny Bor, e louvar a divisão de voluntários espanhóis ao serviço da Wermacht que nela participou.

Marcha em honra da Divisão Azul reuniu cerca de 300 neonazis em Madrid
Marcha em honra da Divisão Azul reuniu cerca de 300 neonazis em Madrid Créditos / Twitter

Várias centenas de neonazis – cerca de 300, segundo o Público espanhol – desfilaram no sábado passado pela capital espanhola, numa marcha em honra aos mortos da Divisão Azul, a unidade militar de voluntários espanhóis que combateu às ordens de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

O acto assinalava o 78.º aniversário da Batalha de Krasny Bor, travada entre as tropas soviéticas e as forças nazis da Wermacht – ao serviço das quais lutou a Divisão Azul –, no âmbito das operações militares com vista ao levantamento do Cerco a Leninegrado.

Com gritos de «Arriba España» e cânticos fascistas, os manifestantes desfilaram até ao Cemitério de La Almudena, onde realizaram uma concentração junto a uma lápide pelos caídos da Divisão Azul. Ali, refere o Público, um padre católico referiu-se ao marxismo como doutrina que «perturba a paz da sociedade e do espírito».

Vários indivíduos intervieram na cerimónia de homenagem. Numa das primeiras intervenções, uma oradora destacou a necessidade de «lutar por Espanha» e «lutar pela Europa, agora débil e liquidada pelo inimigo, que é sempre o mesmo com diversas máscaras: o judeu», indica a RT.

«O judeu é o culpado» e a Divisão Azul «lutou por isso», para libertar a Europa do «comunismo, que é uma invenção judaica contra os trabalhadores», disse ainda a mulher. As declarações, os cânticos e hinos fascistas espanhóis, e a saudação fascista foram amplamente divulgados em registo fotográfico e videográfico nas redes sociais.

Outro orador foi Ignacio Menéndez, advogado conhecido por ter defendido o membro da extrema-direita espanhola Carlos García Juliá, recentemente libertado e um dos autores do «Massacre de Atocha», em 1977, em que foram assassinados cinco advogados ligados às CCOO e ao Partido Comunista de Espanha.

Menéndez instou os presentes a não cumprir as medidas sanitárias contra a propagação do coronavírus: «É preciso que não cumpram o recolher obrigatório, que se reúnam com os vossos familiares e amigos, que sejam mais de seis como somos hoje aqui; e que se abracem, e que cantem e que vivam alegres, porque o fascismo é alegria», disse, citado pela RT.

De acordo com o Público espanhol, associações de moradores da zona tinham solicitado às autoridades que não fosse permitido o desfile que «desde 2007 organizam grupos neonazis de Madrid em homenagem à Divisão Azul e aos caídos pela Europa». No entanto, a delegação do governo espanhol autorizou-a, alegadamente, porque os organizadores garantiram que não ia haver mais de 200 participantes.

Esta segunda-feira, a Federação das Comunidades Judaicas de Espanha pediu ao Ministério Público que investigue os insultos contra judeus registados durante a marcha neonazi de homenagem à Divisão Azul e, se for caso disso, «processe e condene os actos criminosos».

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