|EUA

Casa de Trump revistada pelo FBI

O antigo ocupante da Casa Branca está a ser investigado em dezenas de processos e é suspeito de destruir documentos comprometedores da sua presidência.

Elementos da polícia e do FBI à porta da casa de Donald Trump, durante as buscas judiciais. 
Elementos da polícia e do FBI à porta da casa de Donald Trump, durante as buscas judiciais. CréditosJIM RASSOL / EPA

O antigo presidente dos EUA Donald Trump anunciou na segunda-feira 8 de Agosto que a sua famosa casa na Florida, Mar-a-Lago, tinha sido «atacada» pela polícia federal (FBI). «Estes são dias sombrios para a nossa nação, a minha bela casa, Mar-a-Lago, em Palm Beach, Florida, está sitiada e foi revistada e ocupada por numerosos agentes do FBI», disse ele num comunicado, afirmando ser vítima de «perseguição política».

«Depois de trabalhar e cooperar com as agências governamentais relevantes, esta busca sem aviso prévio da minha casa não foi nem necessária nem apropriada», protestou o ex-presidente.

«Até arrombaram o meu cofre», revelou Trump. «Isto é má conduta do Ministério Público, a instrumentalização do sistema judicial é um ataque dos democratas radicais de esquerda que não querem desesperadamente que eu me candidate à presidência em 2024», denunciou ainda.

O FBI ainda não confirmou esta busca, enquanto que o republicano não indicou as razões para esta operação policial. A actuação do ex-presidente está envolvida em várias investigações judiciais em curso.

Documentos presidenciais encontrados na sua casa em Fevereiro

O anúncio da busca não deixou de provocar a indignação nas fileiras republicanas. O líder dos conservadores na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, denunciou uma «instrumentalização intolerável para fins políticos» do Departamento de Justiça, prometendo uma investigação sobre o seu funcionamento quando os republicanos regressarem ao poder.

A forma como o bilionário geriu os seus documentos oficiais quando esteve na Casa Branca está no centro de várias investigações. O antigo presidente é acusado de ter-se apropriado alguns dos documentos da sua presidência e destruído outros. A lei obriga que todos os documentos sejam enviados para os Arquivos Nacionais dos EUA.

O hábito de Donald Trump de destruir documentos durante a sua presidência tem sido documentado por órgãos de comunicação social como o Politico e o Washington Post há anos e está agora também a ser investigado pela comissão da Câmara sobre o assalto ao Congresso no dia 6 de Janeiro de 2021. Vários ex-assessores da Casa Branca relataram que muitos papeis eram triturados por ordem do ex-presidente.

Esta agência federal tinha pedido ao sistema judicial americano que abrisse uma investigação sobre estes factos, de acordo com vários meios de comunicação social americanos. Foram recuperados, na residência de Mar-a-Lago, na Florida, quinze caixas de documentos que Donald Trump tinha levado consigo quando deixou Washington em Janeiro de 2021.

Nestas caixas, estariam, por exemplo, a carta que Barack Obama deixou a Trump, a correspondência com o líder norte-coreano Kim Jong-un, um mapa dos Estados Unidos que tinha sido objecto de acesas trocas com o serviço meteorológico americano, mas também, de acordo com o Washington Post, vários documentos marcados como ultra-secretos.

Documentos deitados na retrete da Casa Branca

A busca sucedeu no mesmo dia em que Axios, um órgão especializado em informação política de Washington, publicou fotografias mostrando os restos de vários documentos que teriam sido despejados numa sanita pelo próprio Trump.

As imagens fazem parte de Confidence Man: The making of Donald Trump and the breaking of America, o livro a ser publicado pela correspondente política do The New York Times Maggie Haberman. Fotografias exclusivas mostram pedaços de papel escritos com a letra de Trump na parte inferior de duas casas de banho.

O livro de Haberman, que é publicado nos EUA em Outubro, inclui declarações de funcionários da Casa Branca que testemunharam as destruição de documentos.

Fontes consultadas por Haberman dizem que a fotografia à esquerda era de uma casa de banho da Casa Branca, enquanto que a da direita foi tirada numa viagem ao estrangeiro pelo ex-presidente. Sobre estes pode ser vista a caligrafia de Trump, escrita no seu marcador favorito, e sobre um deles pode ser lido o nome da congressista republicana Elise Stefanik, uma apoiante de Trump e membro da liderança do seu partido.

Tópico