Brasil nas ruas pela saída de Temer e por eleições directas

Na sequência das manifestações dos últimos dias, espera-se que milhares de brasileiros venham para as ruas este domingo, exigindo a renúncia imediata de Michel Temer à Presidência e a convocação de eleições directas.

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Na quinta-feira, 18, o Rio de Janeiro foi palco de uma grande manifestação pela renúncia de Temer e por eleições directas
Na quinta-feira, 18, o Rio de Janeiro foi palco de uma grande manifestação pela renúncia de Temer e por eleições directasCréditos / Mídia Ninja

Sob os lemas «Fora Temer», «Diretas já» e «Empurra que Temer cai», as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo agendaram, para hoje, mais de três dezenas de mobilizações por todo o país. Na nota conjunta que emitiram, sublinham que «as bandeiras "Fora Temer" e "Diretas já"» fazem mais sentido do que nunca e que «a actual crise política, institucional e económica demonstra o quanto é justo e legítimo querer que o povo brasileiro decida».

Tal como o fizeram na quinta-feira passada, em que centenas de milhares de pessoas de pessoas se manifestaram em 23 estados brasileiros – segundo divulgou o Brasil de Fato –, as frentes sublinham que a «possibilidade de eleição indirecta já aventada por sectores que compõem o golpe não pode ser levada à frente» e que uma «boa parte do Congresso está comprometida com questões que não são as mesmas que a maioria da população brasileira». «Qualquer saída que não seja através do voto será um golpe dentro golpe», afirmam.

Oposição popular reforçada

O presidente brasileiro em exercício foi alvo de uma constante oposição popular, sendo acusado de golpismo – na sequência da destituição da presidente eleita Dilma Rousseff – e de pôr em prática uma agenda ao serviço do grande capital, de ataque a direitos sociais e laborais consagrados.

Essa oposição, corporizada nos pedidos de renúncia imediata e na exigência da convocação de eleições directas, saiu reforçada quando, na quarta-feira, foram divulgadas gravações realizadas por um dos donos da empresa JBS, Joesley Batista, em que Temer alegadamente aprova o pagamento de subornos a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, para comprar o seu silêncio.

Com base no conteúdo das gravações, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma investigação em que Michel Temer é acusado dos crimes de corrupção, organização criminosa e obstrução à Justiça, informa o Portal Vermelho.

Temer pede suspensão da investigação

O presidente golpista falou ontem ao país, pela televisão, tendo anunciado que irá pedir ao STF a suspensão da investigação de que está a ser alvo, até que seja verificada a autenticidade das gravações feitas por Joesley Batista.

Reafirmando que não irá renunciar ao cargo de presidente da República, Temer disse que a «gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objectivos nitidamente subterrâneos», que o áudio foi editado «mais de 50 vezes», para alterar o teor das suas afirmações e induzir na opinião pública um «julgamento erróneo».

No entanto, de acordo com a imprensa brasileira, a parte em que o Michel Temer dá o aval à compra do silêncio de Cunha não sofreu cortes ou modificações. Por seu lado, o delator, Joesley Batista, afirmou ter uma cópia da gravação na íntegra e que a iria disponibilizar ainda ontem.

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