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Berlim vota pela expropriação dos grandes fundos imobiliários

Mais de um milhão de berlinenses disse sim ao referendo, não vinculativo, no domingo. Proprietários com mais de 3 mil imóveis seriam expropriados e as habitações remetidas para arrendamento acessível.

Manifestação do movimento pela expropriação dos grandes grupos imobiliários, Berlim, 19 de Setembro de 2021 
Manifestação do movimento pela expropriação dos grandes grupos imobiliários, Berlim, 19 de Setembro de 2021 CréditosChristophe Gateau / TheLocal

«Expropriar a Deutsche Wohnen & co.» é o slogan da campanha que arregimentou 56,4% do voto no referendo de domingo. Trata-se da última barreira eleitoral para a efectivação da proposta, e foi realizada em simultâneo com as eleições federais e regionais, em Berlim. A sua implementação só depende, agora, da disponibilidade do próximo executivo local.

A Deutsche Wohnen é um fundo imobiliário que detém mais de 113 mil apartamentos na cidade e só na última década viu duplicar o valor das rendas, tornando-se um símbolo maior da acção danosa destes grupos económicos na capital Alemã. Cerca de 85% da população de Berlim é arrendatária, sofrendo directamente com o constante aumento do valor das rendas.

Em entrevista ao Euronews, Kalle Kunkel, activista do Die Linke e da campanha pela expropriação, considera que o resultado mostra uma população que está farta «que os especuladores continuem a ter uma palavra a dizer sobre o direito à habitação». Para se realizar o referendo, a campanha teve de recolher mais de 175 mil declarações escritas e validadas.

Estima-se que aproximadamente 226 mil habitações seriam expropriadas, caso a lei fosse implementada. Por cada uma destas casas seria paga uma compensação «muito abaixo do preço do mercado». Todos os proprietários privados com mais de três mil fogos seriam objecto da expropriação, o que, numa cidade com uma vasta maioria de arrendatários, significa que a mesma só seria aplicada a um número muito residual de proprietários.

O Parlamento Estadual de Berlim tem sido liderado pelo SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha) desde 2001, sempre com o apoio dos conservadores da CDU (União Democrática Cristã). A alteração de composição deste órgão, em resultado das eleições de 2016, forçou o SPD a uma união tripartida com os Verdes e o Die Linke (A Esquerda), solução que se deverá repetir nos pŕóximos cinco anos.

Cada um deste três partidos representa uma perspectiva diferente em relação ao referendo: o Die Linke está directamente envolvido na dinamização da campanha; os Verdes são ambíguos em relação ao seu apoio; e o SPD é frontalmente contra a sua aplicação. 

Franziska Giffey (SPD), que deverá assumir a posição de presidente do município de Berlim, tem vindo a suavizar a sua oposição às expropriações, antevendo a possibilidade de ter de ceder a algumas das exigências dos activistas.

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