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Após terremoto, Afeganistão pede que Ocidente descongele fundos bancários

Autoridades pediram alívio nas sanções impostas e descongelamento dos activos do país centro-asiático, para ajudar a fazer frente às consequências de um terremoto que matou mais de mil pessoas.

Mulheres afegãs junto às ruínas de casas atingidas por um sismo no distrito de Bermal, província de Paktika, a 23 de Junho de 2022 
Mulheres afegãs junto às ruínas de casas atingidas por um sismo no distrito de Bermal, província de Paktika, a 23 de Junho de 2022 Créditos / PressTV

A difícil situação económica e a crise humanitária que se verificam no Afeganistão, onde milhões de pessoas passam fome e necessitam de ajuda, foram agravadas com o terremoto que abalou o país na quarta-feira passada, sobretudo nas províncias de Paktika e Khost.

O sismo, com uma magnitude de 5,9 na escala de Richter, provocou a morte a pelo menos 1150 pessoas, deixou feridas mais de 2000 e destruiu cerca de dez mil habitações.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla em inglês) anunciou o envio imediato de ajuda e alertou também de imediato para a possibilidade de um surto de cólera nas regiões afectadas.

Sharafat Zaman, um representante do Ministério afegão da Saúde, informou este domingo que os sobreviventes necessitam de alimentos e água potável com urgência, bem como de medicamentos, acrescentando que as pessoas não têm casa nem refúgios adequados para viver, revela a PressTV.

Por seu lado, um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Cabul disse à Al Jazeera que o direito dos afegãos à vida passa pelo levantamento das sanções, o descongelamento dos fundos pelo Ocidente e pela prestação de ajuda humanitária.

A mesma fonte refere que agências humanitárias «sobrecarregadas» sublinharam o modo como o sismo veio pôr a nu a necessidade de a «comunidade internacional» repensar o bloqueio financeiro que impõe ao Afeganistão desde que os Talibã assumiram o poder, há dez meses, depois de as forças lideradas pelos EUA terem abandonado o país, após mais de 40 anos de guerra e 20 de ocupação militar – promovidas com o pretexto de combater os soviéticos, primeiro, e o terrorismo, depois.

Dos nove mil milhões de dólares de fundos congelados no estrangeiro, sete mil milhões foram confiscados nos EUA, depois de o presidente norte-americano, Joe Biden, ter assinado uma ordem executiva nesse sentido, alegando que o dinheiro seria destinado a compensar as vítimas do 11 de Setembro nova-iorquino.

Cabul classificou a medida de Washington como um «roubo». A China, que pretende ajudar o país da Ásia Central com 7,5 milhões de dólares, tem denunciado reiteradamente o congelamento de activos no Ocidente, que já designou como uma «conduta de bandidos».

Após o terremoto, países como Irão, Índia, Paquistão, Turquia, Catar, Emirados Árabes Unidos, bem como várias agências das Nações Unidas, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho têm estado a enviar ajuda para o Afeganistão e a apoiar equipas no terreno.

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