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Apoio no Vietname a vítimas do Agente Laranja

A Associação de Vítimas do Agente Laranja/Dioxina no Vietname juntou nos últimos 5 anos mais de 53 milhões de euros para fazer frente às sequelas da utilização dessa substância pelos EUA durante a guerra.

A vietnamita Nguyen Thi Thuy, nascida em 1961, cuida do seu filho Tran Thi Hong desde que este nasceu, paralisado, em 1993. São duas das mais de três milhões de vítimas, distribuídas por quatro gerações, do agente laranja, desfolhante lançado pelas tropas norte-americanas durante a Guerra do Vietname, entre 1955 e 1975.
A vietnamita Nguyen Thi Thuy, nascida em 1961, cuida do seu filho Tran Thi Hong desde que este nasceu, paralisado, em 1993. São duas das mais de três milhões de vítimas, distribuídas por quatro gerações, do agente laranja, desfolhante lançado pelas tropas norte-americanas durante a Guerra do Vietname, entre 1955 e 1975. CréditosKhairul Anwar / South China Morning Post

O vice-presidente da Associação, Dang Nam Dien, explicou esta segunda-feira em Hanói, numa reunião da Comissão Central do organismo, que os fundos recolhidos se destinaram fundamentalmente à desintoxicação e à prestação de cuidados médicos a quem ainda sofre as consequências dos ataques, à melhoria das suas condições de habitação e à atribuição de bolsas de estudo aos seus descendentes.

Nam Dien, que agradeceu o apoio das diversas instituições que participam activamente no movimento Agir pelas Vítimas do Agente Laranja, disse que, apesar das dificuldades colocadas este ano pela pandemia de Covid-19 e pelos desastres naturais, a Associação conseguiu cumprir todas as tarefas previstas, indica a Agência de Notícias do Vietname.

Ao longo deste ano, cerca de 13 milhões de euros foram destinados às vítimas do Agente Laranja, disse o director da Associação, tendo precisado que, com esses fundos, foram construídas 1041 casas, atribuídas bolsas a quase 3100 estudantes e prestados cuidados de enfermagem a 4000 pessoas, entre outros serviços.

Os esforços daqueles que actuam em prol das vítimas contribuíram para que o Congresso e a administração dos Estados Unidos tenham aceitado mais a responsabilidade do país nos bombardeamentos levados a cabo com dioxina no Vietname, referiu, acrescentando que as iniciativas para reivindicar justiça para as vítimas têm estado a dirigir-se na direcção certa.

Dang Nam Dien informou ainda que a Associação irá organizar um evento, no próximo ano, para «assinalar os 60 anos do desastre do Agente Laranja no Vietname».

Recorde-se que, entre 1961 e 1971, a aviação militar norte-americana lançou sobre o país do Sudeste Asiático milhões de litros de herbicida, em particular um desfolhante à base de dioxina conhecido como Agente Laranja.

Esta operação de guerra química provocou uma grande desflorestação, a extinção de espécies animais, a contaminação de habitats, e a proliferação de doenças irreversíveis, como malformações congénitas, cancro e síndromes neurológicos, por milhões de vietnamitas. Cinquenta anos depois, ainda nascem crianças com malformações congénitas no Vietname.

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