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Aliança militar entre Reino Unido, EUA e Austrália é alvo de críticas

O novo pacto de «defesa e segurança» firmado por Austrália, EUA e Reino Unido marca uma escalada grave na nova guerra fria com a China, advertiu a coligação britânica Stop the War.

Créditos / South China Morning Post

«Os submarinos nucleares e mísseis de cruzeiro não visam a protecção, mas a agressão», referiu esta quinta-feira a organização na sua conta de Twitter.

A Stop the War Coalition, conhecida pelas campanhas contra a guerra e pela defesa de uma política assente na cooperação e na diplomacia, sublinhou ainda que o acordo trilateral deixou claro que o Reino Unido Global defendido pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, significa «mais militarismo e confronto».

Também Jeremy Corbyn, ex-líder do Partido Trabalhista, se posicionou ontem contra a nova aliança, afirmando que «começar uma nova guerra fria não trará paz, justiça e direitos humanos ao mundo».

Boris Johnson, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, e o presidente norte-americano, Joseph Biden, anunciaram na véspera a criação de uma associação de defesa trilateral na região Ásia-Pacífico, que é encarada como uma forma de fazer frente à influência da China na região.

No âmbito do pacto, conhecido como Aukus, a Austrália vai adquirir uma frota de submarinos nucleares fabricados com tecnologia norte-americana e mão-de-obra britânica, informa a agência Prensa Latina.

A França, país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e aliado das três potências referidas, também reagiu mal ao anúncio, na medida em que o governo australiano decidiu rescindir um contrato no valor de 66 mil milhões de dólares assinado com a indústria de armamento francesa com vista à construção de submarinos.

China critica passo «extremamente irresponsável»

Zhao Lijian, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, afirmou esta quinta-feira que a exportação, por parte dos EUA e do Reino Unido, de tecnologia de submarinos nucleares para a Austrália é «extremamente irresponsável», noticia a Xinhua.

Para o funcionário da China, a medida mina a paz e a estabilidade regionais, intensifica a corrida às armas e compromete os esforços internacionais de não proliferação nuclear.

Zhao lembrou que a Austrália é um país sem armamento nuclear, tendo em conta que assinou e ratificou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e integra a Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul.

A este propósito, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse esta quinta-feira que irá vetar a entrada aos submarinos nucleares australianos nas águas territoriais neozelandesas, no contexto da sua política anti-nuclear, indica a TeleSur.

Zhao instou os países em causa a abandonarem a «mentalidade desactualizada da guerra fria» e uma «percepção geopolítica estreita», bem como a contribuírem para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento.

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