O Comité Cívico pró-Palestina, que em 2025 promoveu a leitura dos nomes das 20 mil crianças palestinianas assassinadas em Gaza, organizou esta quinta-feira uma mobilização na Praça Circular de Bilbau, tendo denunciado a «devastação sem precedentes» que a Palestina e o Líbano enfrentam.
Os vários grupos que integram o Comité – como Gernika-Palestina, Ongi Etorri Errefuxiatuak, Begirune, Gerrarik Ez ou Lagun Artean – reclamaram ao mundo que «deixe de tratar a situação como uma simples emergência humanitária e actue contra a impunidade».
Segundo refere a Gernika-Palestina Herri Ekimena na sua conta de Twitter (X), centenas de pessoas participaram na iniciativa solidária e denunciaram o «agravamento da situação na Palestina e no Líbano», exigindo uma resposta internacional «eficaz».
A concentração desta quinta-feira colocou a ênfase na exigência do fim imediato do genocídio e dos ataques israelitas contra a Palestina e o Líbano, com os presentes a exigirem ainda a entrada da ajuda humanitária «urgente, suficiente e sem restrições» na Faixa de Gaza, bem como o fim imediato da expansão dos colonatos e da política de anexação da Margem Ocidental ocupada, indica o naiz.eus.
Reclamaram, além disso, a ruptura de «todas as relações institucionais, comerciais e militares» com Israel. No final, os organizadores procederam à leitura do manifesto da mobilização, que contou com a participação do grupo musical palestiniano de Gaza Sol Band.
Ocupação, violência, bloqueio e fome
Na terça-feira passada, representantes das várias organizações deram uma conferência de imprensa no edifício da Bolsa, em que apelaram à mobilização e alertaram para a gravidade da situação que se vive em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, refere o portal naiz.eus.
Na ocasião, recordaram que a situação actual é «crítica» e que as forças israelitas já ocupam mais de 63% do território da Faixa de Gaza, onde pelo menos 73 mil pessoas foram mortas na sequência dos ataques da ocupação desde Outubro de 2023.
«A isto junta-se um bloqueio sistemático que apenas permite a entrada de 100 camiões de ajuda humanitária dos 600 necessários, provocando a fome generalizada e a propagação de doenças nos acampamentos sem água ou electricidade», denunciaram.
Além disso, as organizações que integram o Comité Cívico pró-Palestina alertaram que a violência israelita e o quadro de «crise grave» alastraram à Cisjordânia ocupada e ao Líbano. «Na Cisjordânia, a violência dos colonos traduz-se em mais de 580 ataques até ao momento em 2026, uma estratégia para forçar a anexação de terras que já provocou a deslocação de mais de 33 mil refugiados desde o início de 2025», explicaram.
«No Líbano, cerca de um milhão de pessoas encontram-se em risco de deslocamento forçado na sequência de meia centena de ataques a instalações médicas», acrescentaram, apelando à mobilização de todos «contra o apartheid e a limpeza étnica».
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