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Acção mundial denuncia impunidade do assassinato da hondurenha Berta Cáceres

O Conselho Cívico das Organizações Populares e Indígenas das Honduras promove uma acção em defesa da justiça no caso da dirigente indígena Berta Cáceres, quando passam 3 anos sobre o seu assassinato.

Créditos / goldmanprize.org

O Conselho Cívico das Organizações Populares e Indígenas das Honduras (Copinh) lançou um apelo para que se exija justiça para o caso de Berta, amanhã, 2 de Março, em frente às embaixadas das Honduras espalhadas pelo mundo, indica a TeleSur.

O organismo sociopolítico, de carácter indígena, pede a todos aqueles que sintam a luta dos povos originários e dos defensores do meio ambiente para que se juntem a esta acção, propondo que exijam a detenção dos autores intelectuais do assassinato da líder do povo Lenca, bem como o cancelamento do projecto hidroeléctrico Agua Zarca, contra o qual ela tanto lutou.

Berta Cárceres tornou-se conhecida precisamente pela firmeza com que se opôs, ao longo de vários anos, ao projecto hidroeléctrico Agua Zarca, da empresa Desarrollos Energéticos Sociedad Anónima (Desa), pelas graves consequências que traria para o seu povo. A tenacidade na defesa do meio ambiente valer-lhe-ia a atribuição do prestigiado prémio Goldman.

Depois de intimidações sucessivas e ameaças à sua vida e dos seus próximos (os seus quatro filhos tiveram de sair do país), Berta foi assassinada na madrugada de 2 para 3 de Março de 2016, em sua casa, em La Esperanza, no departamento ocidental de Intibucá.

«Processo com culpados, mas sem justiça»

No final de Novembro último, um tribunal de Tegucigalpa, capital das Honduras, determinou a culpabilidade de sete de oito réus julgados como autores materiais do seu assassinato. Dos sete declarados culpados, três foram identificados como mercenários a soldo e quatro tinham ligações à Desa e ao Exército hondurenho.

No entanto, o Copinh declarou de imediato que esta sentença, que declara a culpabilidade dos mercenários e da estrutura intermédia directamente relacionada com a empresa Desa, não implica que se tenha feito justiça, uma vez que deixa de parte quem pagou «a estes criminosos para que matassem Berta Cáceres», que assim «continuam em liberdade e podem continuar a praticar crimes como este impunemente».

De acordo com a organização indígena hondurenha, a Desa «constitui-se como uma estrutura criminosa que levou a cabo os seus ataques sistemáticos contra Berta Cáceres» e o Copinh. Ataques que, sublinha, puderam ocorrer graças ao financiamento e apoio de bancos e empresas que defenderam o projecto a que Berta e o Copinh se opunham.

Criminalização e assassinatos frequentes de quem defende a terra

A dirigente do povo Lenca integra-se numa extensa lista de líderes indígenas, camponeses, defensores dos direitos humanos e ambientais assassinados no país centro-americano. Por ocasião do primeiro aniversário do assassinato de Cáceres, o Copinh lembrava, em comunicado, que «já houve muitos e muitas outras Bertas» nas Honduras.

Num cenário cenário marcado pela intensificação dos ataques aos territórios indígenas – sobretudo após o golpe de 2009, apoiado pelos EUA –, com a multiplicação das concessões às empresas privadas para a exploração, o Copinh mostra-se determinado a fazer frente a estes mandantes, juntamente com organizações e comunidades, «tal como o fez Berta Cáceres, até que a dignidade, a verdade e a justiça prevaleçam».

Na segunda-feira passada, dois defensores do meio ambiente, identificados como Salomón Matute e Juan Samael Matute (pai e filho) foram assassinados nas Honduras. Eram ambos líderes do Movimento Amplo pela Dignidade e a Justiça, uma organização que, nas Honduras, luta pela preservação da natureza e contra a corrupção.

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