O Kova M Festival chega à 11.ª edição fruto da conexão da Associação Cultural Moinho da Juventude com as populações do Alto da Cova da Moura. Com a participação de moradores, artistas, jovens, famílias e outras associações, o festival oferece um programa cultural e político afirmativo gratuito para a sua comunidade e visitantes.
Sob o lema «Um outro mundo é possível, se a gente quiser», o festival valoriza a comunidade local e a sua diversidade, rica em diversas geografias migrantes, com predomínio dos PALOP. Ao abrir um espaço e uma oportunidade de apresentar suas artes e trabalhos, valoriza-se o património do bairro enquanto se combate a sua estigmatização. Além do lema, a edição deste ano celebra a vida daquela que o proferiu, Godelieve Meersschaert, conhecida como Lieve, fundadora do Moinho da Juventude que faleceu no início deste ano, aos 80 anos. Moradora na Cova da Moura, Lieve dedicou a sua vida ao combate às desigualdades, à violência e ao racismo. Um legado que em 2005 lhe valeu a Ordem do Mérito, pelo Presidente da República Jorge Sampaio.
Cinema de lutas de independência, antifascismo e cultura da diáspora
O Kova M Festival conta este ano com a 7.º Mostra Internacional de Cinema da Cova, organizado pelo Coletivo Nêga Filmes & Produções, com sessões gratuitas de cinema entre 28 e 30 de Julho. As obras seleccionadas convidam a «conhecer diferentes histórias de resistência, memória e luta pela liberdade».
As exibições, no Pátio do Moinho da Juventude, começam às 21h30, e são sempre em dupla. O primeiro dia abre com a curta-metragem Dentu Zona, de Eliana Caleia e segue com o documentário Enciclopédia de Hip Hop – Volume 1, de Uncle C; na quarta-feira, a primeira exibição é da curta-metragem Marina Vaz – Uma Vida de Resistência e Inspiração, de Cândida Barros, e depois o filme Menino do Mar, de Júlio Silva; o último dia de cinema será com a curta-metragem Vozes da Resistência na Luta Clandestina, de Cândida Barros, e depois segue com o longa Poeta das Ilhas, de Júlio Silva.
Ritmos novos e tradicionais
A atracção principal do festival é a programação de música e dança, que este ano conta com nomes de relevo do rap crioulo, como Landim, Ne Jah, Ghoya, Mynda Guevara, Elji Beatzkilla e General Mucuemba, mas também uma homenagem ao cantor cabo-verdiano Jorge Neto, feita por Jorge Neto Jr, seu filho. Da mesma forma, o festival abre espaço para grupos de dança jovem como as Nu Djunta Mô e os Afrocoots, mas também grupos tradicionais como o Batuke Finka Pé. As apresentações musicais acontecem durante todo o dia de sexta-feira, 30 de Julho, e sábado, 1 de Agosto, no Polidesportivo da Cova da Moura (Águas Livres).
Consumir cultura, para produzir cultura
Associado ao lema do ano, «Um outro mundo é possível, se a gente quiser», o Kova M Festival oferece actividades que convidam à participação. Nos dias 29 e 30 de Julho haverá microfone aberto para duas sessões de cypher, as comumente conhecidas «batalhas de rima», mas a organização avisa que «não se trata de uma batalha. Aqui impera o respeito e a entreajuda». Será um espaço de partilha livre de rimas, de improviso e de «escrita em sintonia», sem foco na competição.
A programação que ainda deverá contar com debates, moda, desporto e gastronomia ainda não é inteiramente conhecida e poderá ser acompanhada nas redes sociais do Kova M Festival.
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