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|José Saramago

«A Oficina de Saramago» na Biblioteca Nacional a partir de segunda-feira

Uma exposição bibliográfica e documental, que «examina e celebra o percurso de escrita» de José Saramago (1922-2010), é inaugurada na próxima segunda-feira, na Biblioteca Nacional, em Lisboa. 

Neste dia, em 1998, a Academia Sueca anunciava que o Prémio Nobel da Literatura seria atribuído a José Saramago, até agora o único português a receber esta distinção. A reflexão sobre a sua obra, as desigualdades, o conceito de democracia e a actuação das «instituições» europeias foram alguns dos muitos temas sobre os quais manifestou a sua opinião. «A missão do escritor, se existe alguma, é não se calar», admitiu.  
CréditosNuno Veiga / Agência Lusa

A mostra, intitulada «A Oficina de Saramago», insere-se nas celebrações do centenário do nascimento do autor de Memorial do Convento, cujo legado ultrapassou fronteiras geográficas e culturais, «colocando-o também entre os principais nomes da literatura mundial», assinala a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), através de comunicado.

A Biblioteca entende ir ao encontro do pensamento do autor que, numa carta datada de 1960, escreveu ao escritor José Rodrigues Miguéis (1901-1980): «Não só o crítico gostará de conhecer os 'móbeis' e os bastidores da criação: parece-me até que o público será quem mais o apreciará, tão desacostumado está de meter o nariz na oficina do escritor», cita a BNP.

A exposição «parte da premissa de que um escritor – um grande escritor – não vem do nada». «O momento em que abrimos um romance, um volume de contos ou uma colectânea de poemas é verdadeiramente o ponto de chegada de um trajecto, marcado por um trabalho que inclui leituras, pesquisa, escrita e reescrita. É, sobretudo, a esse trabalho que a presente exposição busca dar destaque, facultando um acesso em muitos aspetos inédito aos bastidores da criação de José Saramago», refere o comunicado hoje divulgado.

A exposição está organizada «em três grandes eixos, que dão a conhecer as várias bibliotecas relacionadas com o universo escritural de Saramago: aquela que antecede ou que alimenta a obra, a da obra em si e aquela que se lhe seguiu».

A BNP destaca ainda que a mostra inclui «testemunhos materiais muito expressivos como atestação do que foi o referido trabalho do escritor».

«Esses testemunhos são agora mostrados, nalguns casos pela primeira vez, integrados todos num conjunto que se pretende harmonioso e condizente com a ideia de uma narrativa, devendo a visita ao que é mostrado constituir uma 'leitura' que obedeça à lógica subjacente àquele conceito», lê-se na nota.


Com agência Lusa

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