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O que fica são imagens muito vagas e ambíguas

«A fotografia desempenhou um importante papel nas transformações de paradigma que ocorreram nas artes». Daniel Blaufuks no Pavilhão Branco e Festival Imago em Lisboa e José Frade no Fórum Cultural do Seixal.

CréditosDaniel Blaufuks

As abordagens à fotografia na actualidade, não são tanto sobre o que a diferencia de outras linguagens artísticas, ou sobre a sua especificidade, mas sim sobre as «estratégias da utilização da fotografia na arte contemporânea, sobre modos de usar»1. Ricardo Nicolau, defende que «a fotografia desempenhou um importante papel nas transformações de paradigma que ocorreram nas artes das últimas quatro décadas do século XX», acrescentando que «assistimos hoje a uma sua utilização que parece pensá-la mais como um dispositivo que facilita a documentação, que enfatiza o precário ou o furtivo, do que como uma linguagem a explorar em termos das suas propriedades intrínsecas. Os artistas usam-na porque é móvel e rápida, exploram o seu poder para documentar provisório, para evocar o instante»2, afirmando ainda que a maior parte dos artistas aplica a fotografia nos seus trabalhos «por necessidade, por estratégia, porque encontra nela a linguagem adequada para determinado tipo de projectos»3.

Na Galeria Municipal Pavilhão Branco4, em Lisboa, Daniel Blaufuks expõe actualmente «Hoje, Nada», exposição que pode ser visitada até 24 de Novembro. Nesta exposição o artista apresenta fotografias e objectos de projectos anteriores e algumas obras inéditas, onde Blaufuks recupera temas e questões recorrentes do seu trabalho, sobre modos de inventariar e arquivar. No seu trabalho, Blaufuks utiliza fundamentalmente como linguagens a fotografia e o vídeo, apresentando a sua obra através de livros, instalações e filmes. A sua obra caracteriza-se pelo interesse na análise histórica, na viagem, no registo documental e na memória, de homenagem ao passado das suas origens judaicas, questionando o passado e a sua influência na realidade do presente, colectiva ou individual, utilizando o «potencial rememorativo da fotografia». Esta exposição é comissariada por Sérgio Mah e o título «Hoje, Nada», foi inspirado no livro Oficio de viver de Cesare Pavese, referindo ainda o curador que esta exposição de Blaufuks «reúne um conjunto muito diversificado de fotografias e objectos – de várias séries anteriores e algumas obras inéditas – que nos dão a ver lugares, coisas, gestos imobilizados, e imagens que assinalam modos de inventariar e arquivar... imagens vagas, difusas esquivas, que parecem procurar contornar o seu referente. Ou podemos simplesmente assumi-las como asserções do carácter factício, precário e parcelar da imagem».

Na inauguração desta exposição, numa entrevista à RTP, Daniel Blaufuks afirmou que na actualidade «...fomos esvaziando os personagens, fomos esvaziando os movimentos, fomos tirando toda a noção de acontecimento, o que fica são imagens muito vagas e ambíguas, em que algo está a acontecer ou está para acontecer...», sobre esta exposição disse-nos que «o que é dado ao espectador é um enorme desafio, para ele prosseguir a imagem, na verdade as imagens não estão paradas, quem as olha está em movimento, o pensamento está a criar...». Referimos ainda que no âmbito desta exposição poderemos ainda assistir a uma conversa com Daniel Blaufuks, Sérgio Mah, Tobi Maier e convidados, no dia 21 de Novembro, às 17 horas.

A primeira edição do Festival Imago Lisboa tem como objectivo promover a difusão e reflexão de algumas das actuais tendências da criação fotográfica contemporânea de autores nacionais e estrangeiros, apresentando três exposições em diversos locais de Lisboa até 17 de Novembro.

Exposição «Novas Visões na Fotografia Contemporânea» nas Carpintarias de São Lázaro5 com a participação dos artistas Demetris Koilalous, Filippo Zambon, Jon Cazenave, Jonathan Llense, Katrien de Blauwer, Laurence Rasti, Liza Ambrossio, Malú Cabellos, Melanie Walker, Nydia Blas, Shen Chao-Liang, Virginie Rebetez. Estes doze artistas foram propostos por quatro curadores internacionais, em que cada um propôs um conjunto de três artistas. Conforme o texto de apresentação da exposição «os doze projectos, oriundos de diferentes geografias espelham a riqueza da criação actual e simultaneamente aspectos relevantes da fotografia mundial».

Exposição «Master Show» no Convento da Graça6, uma retrospectiva do artista Pentti Sammallahti, um mestre da fotografia clássica a preto e branco e um pioneiro da arte fotográfica finlandesa que iniciou a sua carreira no início da década de 1960.

Exposição «Construir Pontes» no Museu da Água7, uma exposição colectiva com os artistas portugueses Augusto Brázio, Luísa Ferreira, Pedro Letria, São Trindade, com o objectivo de promover a visibilidade dos artistas nacionais.

«Pina Bausch», de José Frade Créditos

No Fórum Cultural do Seixal, na Galeria de Exposições Augusto Cabrita8, poderá visitar a exposição de fotografia «Pina Bausch» de José Frade, até ao dia 30 de Novembro. A exposição de José Frade, integra 15 fotografias da bailarina e coreógrafa e de dois dos seus espectáculos – Nelken, 2005, e Café Muller, 2008, no São Luiz, Teatro Municipal, Lisboa.

José Frade é fotojornalista freelancer desde 1990. Tem fotografias publicadas na imprensa nacional e estrangeira e recebeu vários prémios. Foi editor de imagem da revista Tempo Livre e repórter fotográfico do jornal Tempo Livre, da Fundação INATEL. Na área cultural foi fotógrafo oficial no Teatro São Luiz, Teatro Maria Matos, Museu do Fado, Museu da Marioneta, Casa Fernando Pessoa, na Companhia de Teatro dos Aloés e Companhia de Teatro de Almada e tem colaborado em edições literárias, designadamente na D. Quixote, na Editorial Caminho e na Gradiva.

  • 1. Ricardo Nicolau, artigo «Notas sobre as derivações e desvios do projecto conceptual», no livro Fotografia na Arte – De ferramenta a paradigma, Colecção de Arte Contemporânea, edição Público e Fundação Serralves, 2006, p. 8 e 9.
  • 2. Ibidem.
  • 3. Ibidem.
  • 4. Pavilhão Branco - Campo Grande n.º 245, 1700-091 Lisboa. Horário: terça-feira a sexta-feira: 14h30 às 19h; sábado e domingo: 10h às 13h e 14h às 18h.
  • 5. Carpintarias de São Lázaro - Rua de São Lázaro n.º 72, 1150-199 Lisboa. Horário: quinta-feira a domingo: 12h-18h.
  • 6. Convento da Graça - Largo da Graça, 1170-165 Lisboa. Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 17h.
  • 7. Museu da Água - Rua Alviela n.º 12, 1170-012 Lisboa. Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 17h30.
  • 8. Galeria de Exposições Augusto Cabrita - Quinta dos Franceses, 2840-499 Seixal. Horário: Terça-feira a sexta-feira, das 10h às 20h30; sábado das 14h30 às 20h30.

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