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Documentário explora a identidade do Troino, bairro piscatório de Setúbal

A curta-metragem de João Bordeira e Sérgio Braz d’Almeida vai ser exibida nos dias 21 e 22 de Novembro em Setúbal. O projecto documental «Troino» quer construir um acervo audiovisual da vida do bairro.

Doca dos pescadores de Setúbal 
Doca dos pescadores de Setúbal CréditosCarlos Anjos / Praça do Bocage

A curta, Sal no Sangue, documenta as «histórias de vida, dificuldades quotidianas e a ligação ao mar dos pescadores do Bairro do Troino», lê-se num comunicado da Câmara Municipal de Setúbal (CMS) enviado ao AbrilAbril. Este bairro teve um papel especialmente importante no desenvolvimento da indústria conserveira da cidade.

As entrevistas que resultaram deste projecto «foram realizadas perto de cacifos, estrutura física que é, simultaneamente, um local onde os pescadores guardam os materiais necessários à faina, como redes, chumbos, motores, extintores, agulhas e linhas, e um ponto de encontro da comunidade».

Em declarações feitas à CMS, Mariana Macedo Dias, antropóloga, refere que as perspectivas das pessoas que conheceram neste projecto «é o de uma terrível perda da pesca, quer para dar lugar a grandes corporações, quer pela falta de interesse dos mais jovens». «Talvez sintam que a pesca está a piorar porque eles próprios já estão envelhecidos e não vêem o mundo como viam quando eram jovens».

Sal no Sangue, vai ser exibido em duas sessões de entrada gratuita, dia 21 de Novembro, às 16h, na Casa da Cultura, em Setúbal, e dia 22, às 18h, no Mercado do Rio Azul. O filme faz parte do projecto documental «Troino», «que tem como objectivo a criação de um arquivo audiovisual dos hábitos e das memórias dos moradores do bairro».

A exibição da curta-metragem, com a duração de trinta minutos, é antecedida de uma conversa com os realizadores, João Bordeira e Sérgio Braz d’Almeida, e a antropóloga Mariana Macedo Dias, que acompanhou a realização das filmagens.

Este é o segundo documentário a ser produzido ao abrigo deste projecto, depois de Miradouro, de 2017, que retrata as gentes e o Bairro de São Domingos. O principal objectivo é «realizar um conjunto de filmes que resultem num registo com valor etnográfico de todo o território de Setúbal», afirma a autarquia.

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